Hotel acessível no Rio de Janeiro

 

Se você está procurando um hotel acessível e central no Rio de Janeiro, este post tem a resposta!

 

Quarto no Ibis Centro (foto do site do hotel)

Quarto no Ibis Centro (foto do site do hotel). Não é exatamente igual ao quarto em que ficamos, mas é muito semelhante.

 

Mesmo que, por lei, todo hotel deva oferecer quartos acessíveis, não é isso que acontece na prática. Há mais maquiagem e verniz do que acessibilidade de fato… Sendo assim, é preciso que, ao planejar sua viagem, a investigação seja tão mais cautelosa quanto mais reduzida for sua mobilidade. Não descuide disso; afinal, vc viaja para ser feliz, e não para se estressar, concorda?

Neste post vou te indicar um hotel acessível no Rio, mas, como tivemos alguns problemas com o que reservamos – e não foi por falta de cuidados –, vou aproveitar para te passar algumas dicas…

 

Ibis Rio de Janeiro Centro

 

Bem, escolhi começar o post falando do que deu certo. E nos hospedar nesta unidade do Ibis foi um incidente feliz. Digo “incidente” porque fiz reserva para o Ibis Santos Dumont, mas por causa de diversos problemas (que contarei no final do post) tivemos de ser transferidas para a unidade do Centro. No fim das contas, parece que tudo saiu melhor do que a encomenda… Thanks God!

 

Pontos positivos do Ibis Centro:

  • Excelente para quem deseja conhecer o centro histórico, ir ao Theatro Municipal, ao Museu do Amanhã e a outras atrações na região central. Também fica perto da famosa Rua do Lavradio, na Lapa.
  • Fica perto de uma estação de metrô acessível. Mais especificamente, a duas quadras da Estação Carioca (ler post sobre acessibilidade no metrô aqui).
  • Equipe gentil e muito cooperativa
  • Excelente diversidade no café da manhã, com itens para vegetarianos e intolerantes a lácteos (o café da manhã não está incluído; é pago à parte).
  • Restaurante com espaço para circulação, e um dos balcões de café da manhã tem altura adequada para cadeirantes.
  • Quarto com bom tamanho (sua cadeira de rodas não fica entalada), cama king size confortável, travesseiros confortáveis. TV, controle de climatização e bancada de trabalho estão em altura adequada. Cama em altura adequada. Piso adequado para cadeira de rodas.
  • Espelho de corpo inteiro no quarto
  • Banheiro grande com instalações adequadas para cadeirantes: porta de correr com barra e com 80cm de largura, espelho inclinado, prateleira ao lado da pia para itens de higiene, barras em torno da pia, do vaso sanitário e no box; cortina no box (o banheiro não alaga); banqueta fixada na parede; ducha manual para banho; torneira monocomando, saboneteira fixada na parede.
  • Contrata funcionários com deficiência; encontramos dois deles no restaurante.
  • Internet gratuita e de qualidade

 

Frigobar em altura adequada, mas o cofre está alto. (Fotos pertencem ao meu acervo, exceto quando indicado)

Frigobar em altura adequada, mas o cofre está alto. (Fotos pertencem ao meu acervo, exceto quando indicado)

 

 

Sua mala pode ficar em cima da bancada de trabalho. A altura é adequada.

Sua mala pode ficar em cima da bancada de trabalho. A altura é adequada.

 

TV em altura adequada, piso liso, espelho de corpo inteiro.

TV em altura adequada, piso laminado, espelho de corpo inteiro.

 

 

Pontos não muito favoráveis

  • A área onde o hotel se localiza fica deserta à noite e no sábado à tarde; não é seguro sair a pé nesses horários.
  • Tapete nos corredores
  • Não há quarto adaptado com camas de solteiro, somente com uma cama de casal.
  • Economia nas toalhas: não foram fornecidas as de rosto, somente as de banho. Não nos lembramos de verificar se foi uma falha ou se é uma prática.
  • Só peça algum prato no restaurante em caso de emergência; a massa que pedi estava ruim, sem sabor de nada. O camarão parecia isopor.

 

Balcão rebaixado no Ibis Centro: cadeirante atendido com dignidade, sem ter de ficar olhando pro alto e colocando papel no colo para assinar... (foto do site do hotel)

Balcão rebaixado no Ibis Centro: o cadeirante é atendido com dignidade, sem ter de ficar olhando pro alto e colocando papel no colo para assinar… (foto do site do hotel)

 

Restaurante sem sofisticações, mas bonito e aconchegante. (Foto do site do hotel)

Restaurante sem sofisticações, mas bonito e aconchegante. (Foto do site do hotel)

 

 

Ibis Santos Dumont

 

Ainda que muita gente goste de ficar na rede Ibis e adote a justificativa de que “todos são iguais; você sabe o que vai encontrar”, isso não é totalmente verdadeiro, pelo menos não para cadeirantes. E por um simples fato: eles foram construídos em épocas diferentes, e muitos não passaram por reforma. Sendo assim, há os que não estão, de fato, adaptados. Além disso, há soluções regionais para necessidades de acessibilidade. Por exemplo, no Ibis Savassi, em BH, o vaso sanitário tem um insuportável assento sanitário elevado com abertura frontal. Detalhe: os parafusos ficam bambos ao longo do tempo, e o assento acaba te jogando no chão. Não, não tem como levantar o assento; nesse modelo, isso fica impossível. Percebe o drama?

 

No Ibis Savassi, em BH, assento sanitário oferece risco de queda. Por favor, empresário, fuja desse tipo de assento. (Foto do meu acervo pessoal)

No Ibis Savassi, em BH, assento sanitário oferece risco de queda. Por favor, empresário, palamordedeus, fuja desse tipo de assento. (Foto do meu acervo pessoal)

 

Escolhi o Ibis Santos Dumont logo no início do planejamento desta última viagem ao Rio. Os motivos: era uma opção econômica (no momento, isso era necessário, pois a grana estava curta), fica próximo do aeroporto (daria para ir a pé) e relativamente próximo de locais aonde pretendíamos ir.

Mas vimos que a circulação não era tão simples quanto imaginávamos: no trajeto a pé, não há rebaixamentos de calçada. Você pode optar por atravessar uma passarela, mas ela é íngreme. Bem, chegamos sãs e salvas, mas não foi fácil, embora seja, de fato, muito perto. Como é que pode não haver acessibilidade no entorno do Aeroporto Santos Dumont?

Outro ponto negativo é que não há estação de metrô acessível por perto. Já deu para vc perceber que não foi uma opção tão boa assim, certo? Calma, ainda vai piorar.

Devo enfatizar que fiz a reserva pelo Booking e imediatamente liguei para o hotel, a fim de me certificar de que o quarto adaptado estaria disponível na data. Tudo acertado, dormi em paz…

Infelizmente, ao chegar constatamos a bagunça e a desorganização. O hotel estava em obras, a recepção não tinha espaço para nada, havia barulho e pó por todo lado. Usei o banheiro adaptado do hall, mas só o masculino estava disponível (o feminino estava em obras), e era muito ruim, antigo, feio, com aspecto horrível. Tudo no hotel era feio e tinha a marca do improviso.

Chegamos cedo, às 8 horas, embora soubéssemos que o check-in só estaria disponível ao meio-dia; mas quem sabe haveria possibilidade de early check-in? A recepcionista averiguou se havia como arrumar o quarto naquele momento, mas constatou que não. Deixamos as malas guardadas lá e fomos passear, com a promessa de que, quando retornássemos, o quarto estaria arrumado.

Voltamos às 17:30 e, para nossa surpresa, o quarto ainda não estava disponível. Eu, que havia acordado às 4 horas da manhã e não tinha parado desde então, tive vontade de que um buraco se abrisse e acabasse numa cama bem confortável (para não mencionar o desejo inconfessável de assassinato). O recepcionista não conseguia explicar por qual razão teríamos de esperar ainda mais; parecia não saber o que fazer. Sendo assim, mandei chamar o gerente, que por sinal não estava.

No lugar dele veio um funcionário graduado, que, felizmente, era bastante capacitado. Ouviu toda a história, examinou os registros e constatou o erro do hotel de não nos ter avisado – pasmem, mas pasmem mesmo – que o local estava em obras e não havia quarto adaptado disponível! Por que não nos avisaram com antecedência, por telefone, ou mesmo no dia, quando deixamos as malas, foi algo que não descobrimos, mas vou evitar fazer conjecturas…

Sim, eu quis morrer ali mesmo, mas não era hora para isso. Perguntei ao funcionário como ele resolveria a situação. Ele pensou, investigou e propôs nos transferir para o Ibis Centro (ao lado da Praça Tiradentes), sem custo adicional (é claro), e ainda pagou o táxi para nos levar. Não, não era o ideal. O ideal era cama e banho quente. Mas era o possível.

Então, rumamos para lá, em dia de manifestação política, mas por sorte estávamos escoltadas por um motorista nota 10, bem-humorado, que fez os desvios possíveis e nos entregou inteiras (bem, quase…) no nosso novo destino.

Por que estou contando tudo isso? Para que vc adote como prática o que vou fazer a partir de agora: telefonar para o hotel um dia antes da partida e averiguar se o estabelecimento continua existindo. Sabendo, claro, que incidentes acontecem, mas não podem, e não devem, estragar nossa viagem e nossos sonhos.

Até a próxima, galera! Sem estresse… 😉

 

Para saber mais

 

Hotel acessível no Rio: Windsor Astúrias

Outros hotéis acessíveis no Brasil e pelo mundo

 

Eu sei que planejar uma viagem dá trabalho e que os desafios para as pessoas com deficiência são inúmeros. Mas viajar amplia tanto os nossos horizontes que vale a pena sair de casa e se aventurar. Navegar é preciso!

Eu sei que planejar uma viagem dá trabalho e que os desafios para as pessoas com deficiência são inúmeros. Mas viajar amplia tanto os nossos horizontes que vale a pena sair de casa e se aventurar. Navegar é preciso!

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4 Comments

  1. Edileuza Ferreira Calazans

    Amei o post

  2. Mônica Figueiredo Brandão

    Laura,

    Encontrei um hotel no Rio, que diz ser adaptado. Eu não sei, vou pra lá no dia da abertura das Paraolimpíadas e depois te conto se ele é realmente adaptado e como foi a minha experiência, lá. Bjs…

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