Passeio de trem de Ouro Preto a Mariana: acessibilidade

 

O passeio de trem de Ouro Preto a Mariana é muito agradável, com belas paisagens e atrações históricas. É pertinho de Belo Horizonte e acessível para cadeirantes. Vem comigo que eu te conto mais!

 

Este é o vagão panorâmico do Trem da Vale que faz o trajeto Ouro Preto - Mariana (Todas as fotos pertencem ao meu acervo, exceto quando indicado)

Este é o vagão panorâmico do Trem da Vale que faz o trajeto Ouro Preto – Mariana (Todas as fotos pertencem ao meu acervo, exceto quando indicado)

 

 

Fazia tempo que eu desejava fazer o passeio de trem de Ouro Preto a Mariana. Havia assistido, no Programa Especial, da TV Brasil, em 2011, a uma reportagem mostrando o casal Sandra e Saulo, ele cadeirante, realizando o trajeto e fazendo uma visita ao Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, e então decidi: vou também.

Nesse meio tempo, surgiram várias outras viagens, e esta foi sendo adiada. Já conhecia tanto Ouro Preto como Mariana, mas fazia anos que tinha ido lá, naquele tempo em que a gente não tem sensibilidade nem maturidade suficientes para apreciar as coisas como se deve… Eu era adolescente e confesso que aproveitei muito pouco. Eis que, este ano, aparece o Pedro, outro cadeirante, cheio de histórias de sua viagem a Ouro Preto. Rapidinho pedi que ele fizesse um post para este blog, e ele atendeu ao convite lindamente. O resultado vc lê aqui.

Assim, decidi que desta vez a viagem sairia. Convidei o Leo para me acompanhar, reservei hotel e aguardei pacientemente os dias que faltavam… Já te adianto que a viagem foi ótima! Bons passeios e boa comida em Ouro Preto, hotel delicioso, viagem de trem superagradável e o encantamento das construções históricas de Mariana. Me acompanhe!!!

 

Ao fundo, o Museu da Inconfidência, em Ouro Preto.

Ao fundo, o Museu da Inconfidência, em Ouro Preto.

 

 

Ouro Preto

 

No trajeto a partir de Belo Horizonte, logo após a entrada para Itabirito, vale fazer uma parada para comer pastel de angu no Jeca Tatu. Ele está nessa estrada há décadas, só mudou de localização, e cresceu muito.

Trata-se de um lugar pouco usual. É um “museu de quinquilharias”: o proprietário vai dispondo pelo espaço máquinas de escrever, geladeiras antigas, discos de vinil e tudo o mais que vc puder imaginar! O espaço interno é um labirinto, no meio do qual vc encontra a lanchonete e mesas para tomar seu lanche. O pastel de angu é delicioso e vale por uma refeição. Não tem acesso para cadeirantes ou pessoas com mobilidade reduzida. Mas dá pra parar o carro na porta e fazer alguns malabarismos para entrar, desde que vc tenha levado um empurrador com braços fortes, sua cadeira tenha até 60cm de largura ou vc não se importe de pedir para afastarem um pouco as coisas a fim de sobrar espaço para sua passagem.

 

Leo posa para a foto ao lado de capa de disco de Flávio Venturini, no museu de quinquilharias/lanchonete Jeca Tatu.

Leo posa para foto ao lado de capa de disco de Flávio Venturini, no museu de quinquilharias/lanchonete Jeca Tatu.

 

Ficamos hospedados no hotel sugerido pelo Pedro, o Solar de Maria. Gostamos muito! Tem estacionamento, rampa na entrada e há elevador. O quarto é amplo, assim como o banheiro. As camas são confortáveis e estão na altura da cadeira de rodas. O hotel disponibiliza cadeira higiênica. Na área de banho, há cortina, o que facilita o acesso, mas não há barras de segurança. Elas estão disponíveis somente ao lado do vaso sanitário. A pia tem coluna, mas não chega a atrapalhar o uso.

Um hotel pequeno, muito bonito e charmoso, com uma equipe gentil, simpática e competente. Na recepção, recebemos um mapa e excelentes dicas de passeio e gastronomia, além de orientações acerca dos percursos na cidade. Mais informações sobre o Solar de Maria podem ser encontradas no site do Booking e no post do Pedro.

Não visitamos muitos lugares em Ouro Preto, porque só teríamos o sábado; o domingo seria investido no passeio de trem e em uma voltinha para namorar Mariana.

Almoçamos no Bené da Flauta, próximo da Praça Tiradentes. É possível parar o carro pertinho da entrada, para a pessoa com deficiência desembarcar, mas a área em que se pode estacionar fica no morro. Fazendo assim, vc tem acesso a entrada plana. Um dos ambientes fica nesse nível mesmo, mas há outros acessados por escada. A comida é boa, o atendimento também.

 

Placa do restaurante Bené da Flauta.

Placa do restaurante Bené da Flauta.

 

Em seguida, fomos comprar os bilhetes para o trem, a fim de não precisarmos chegar muito cedo no dia seguinte. Também porque, quando há muitas excursões pela região, sempre se corre o risco de serem vendidos todos os lugares. Sei lá, sou prevenida.

Depois, por sugestão do Leo, subimos “a pé” a ladeirinha interna da Escola de Minas, que fica na Praça Tiradentes, para conseguir boas fotos. E não é que ele tinha razão? Veja por si mesmo!

 

Foto tirada do alto da Escola de Minas, com Praça Tiradentes ao fundo.

Foto tirada do alto da Escola de Minas, com Praça Tiradentes ao fundo.

 

 

Escola de Minas, na Praça Tiradentes.

Escola de Minas, na Praça Tiradentes. Não é simples chegar lá: é preciso estacionar o carro um pouco distante, subir a pé, passar por dois altos degraus e enfrentar uma ladeira com pedras pontiagudas. Sim, tem gente que tem parafusos a menos…

 

Após, fomos ver o pôr do sol no Mirante do Morro de São Sebastião. Pessoas sem deficiência podem ir a pé e chegar lá em cima bufando, após algumas ladeiras respeitáveis. Mas os desafios das ruas de Ouro Preto não se limitam à declividade; o calçamento de pé de moleque é terrível para cadeiras de rodas! Cadeirantes terão de subir de carro. É possível estacioná-lo no mirante, desde que não seja um dia muito concorrido… Nós conseguimos, porque chegamos cedo e, acredito, porque o céu estava um pouco encoberto. A vista é linda! Há um alto degrau até o espaço cimentado, onde há uma mureta em que as pessoas podem se assentar para contemplar a paisagem. Tudo bem rústico, sem infraestrutura.

 

É muito inspirador e revitalizante finalizar a tarde com esta vista, não? A foto foi tirada no mirante do Morro de São Sebastião.

É muito inspirador e revitalizante finalizar a tarde com esta vista, não? A foto foi tirada no mirante do Morro de São Sebastião.

 

Jantamos no O Passo, um bar de jazz charmoso, com comida, carta de bebidas e atendimento perfeitos. Não tem acesso para cadeirantes. Subi guinchada por três gentis garçons. É preciso fazer reserva.

No dia seguinte, um café da manhã reforçado, porque tínhamos viagem de trem e mais ladeiras pela frente, em Mariana.

Ao deixar Ouro Preto, tive a certeza de que é uma cidade que precisa ser conhecida, ainda que se faça isso de carro, circulando as magníficas igrejas e outras construções representantes do barroco. É uma dose de arte e arquitetura, história e charme, romantismo e beleza que não pode faltar no seu acervo de boas lembranças. Mesmo que vc não consiga descer do carro.

 

Foto de Ouro Preto tirada do alto da Escola de Minas.

Foto de Ouro Preto tirada do alto da Escola de Minas.

 

 

Passeio de trem Ouro Preto – Mariana

 

Para adquirir seu ingresso, pare o carro na pracinha do coreto, ao lado da estação ferroviária. Em vez de entrar pela frente, que tem degraus, entre por um portão grande que fica após a entrada, no fundo da pracinha. Ali, há uma rampa, mas ninguém me contou. Tive de subir os degraus e só descobri isso após entrarmos para pegar o trem.

 

Esta é Estação Ferroviária de Ouro Preto. Com a seta, indico onde fica o portão com entrada sem degraus. (Foto de Rotizen Lage Reggian, retirado do Panoramio)

Esta é Estação Ferroviária de Ouro Preto. Com a seta, indico onde fica o portão com entrada sem degraus. (Foto de Rotizen Lage Reggian, retirada do Panoramio)

 

A moça que nos atendeu foi muito simpática e gentil; entre as informações que nos repassou, está a de que eu teria direito a meia entrada. Então, escolhemos o vagão panorâmico, porque tem as laterais envidraçadas, permitindo uma vista melhor. Ela me assegurou que ele tinha acesso para cadeirantes. Mas a moça simpática não estava bem informada. E a verdade é que o vagão panorâmico não tem acesso para cadeirantes. Anote. Tem degraus, que até poderiam ser vencidos com o auxílio da rampa móvel, mas a entrada é estreita demais; a cadeira não passa. Não desisti: me carregaram até o assento, e a cadeira viajou em outro local. Na volta, preferi o vagão adaptado, do contrário não teria informações para repassar no blog.

Ah! Na ida para Mariana, vc deve ir pelo lado direito do trem, porque é o lado onde estarão as mais belas paisagens. No retorno, é o contrário.

 

O chefe de trem Paulo Henrique me auxilia a entrar no vagão adaptado.

Passeio de trem com acessibilidade: o chefe de trem Paulo Henrique me auxilia a entrar no vagão adaptado.

 

O vagão adaptado tem a porta mais larga, na qual uma rampa móvel é posicionada. No interior dele, há espaços vagos para que vc fique em sua própria cadeira. Caso queira, poderá viajar no banco de madeira também. E surpresa: há um excelente banheiro adaptado dentro do vagão!

 

Esta é a rampa móvel, que é encaixada na porta do vagão adaptado.

Esta é a rampa móvel, que é encaixada na porta do vagão adaptado.

 

Amplo banheiro acessível no vagão adaptado.

Amplo banheiro acessível no vagão adaptado.

 

No vagão adaptado, preferi viajar na própria cadeira. O banco da frente pode ser posicionado de frente para vc.

No vagão adaptado, preferi viajar na própria cadeira. O banco pode ser virado para seu acompanhante ficar de frente para vc.

 

 

A viagem já começou agradável pelo excelente atendimento do Paulo Henrique, que foi o chefe de trem que nos atendeu nos dois percursos. Foi ele quem avisou à administração a respeito da situação criada a partir da informação inadequada que havíamos recebido, a fim de que a recepção tivesse condições de prestar um atendimento correto das próximas vezes. O chefe de trem, durante todo o percurso, dá informações sobre fatos históricos e belezas naturais da região.

 

Uma das cachoeiras que avistamos durante a viagem.

Uma das cachoeiras que avistamos durante a viagem.

 

Em alguns trechos, a neblina trazia um efeito especial à paisagem.

Em alguns trechos, a neblina trazia um efeito especial à paisagem.

 

Em alguns trechos de rio, ainda são vistos sinais de mineração com bateia.

Este rio mostra, ainda, sinais de mineração com bateia.

 

Os vagões têm o interior muito bonito, mantendo o desenho dos antigos trens, com acabamento em madeira. O panorâmico permite, por meio da sua estrutura transparente, a visualização completa das belas paisagens e da cachoeira. Além disso, tem ar-condicionado. Mas, como eu disse, não é adaptado. O passeio dura cerca de uma hora e vale mesmo a pena.

Ambas as estações, tanto a de Ouro Preto como a de Mariana, têm banheiros adaptados.

Dica sobre escolha de horários: no site do Trem da Vale, há informações sobre dias e horários de partida da locomotiva. Escolha o horário de saída e de retorno prestando atenção em quantas horas vc gostaria de destinar ao passeio em Mariana. Darei dicas sobre a cidade no próximo post.

Os passeios são realizados às sextas, aos sábados e domingos e nos feriados nacionais. Veja abaixo o calendário de dezembro:

 

Esta é a agenda de dezembro do Trem da Vale, retirada do site.

Esta é a agenda de dezembro do Trem da Vale, retirada do site.

 

 

Estação Ferroviária de Mariana

Estação Ferroviária de Mariana

 

Bem, como vc percebeu, este post ficou muito longo. Por causa disso, vou deixar Mariana para outro dia, tá? Mas deixo uma foto, te preparando para o próximo capítulo desta aventura… 😉

 

Não é a minha dublê. Sou eu mesma, após subirmos uma ladeira pra nenhum alpinista botar defeito!! hahaha

Não é a minha dublê. Sou eu mesma, após subirmos uma ladeira pra nenhum alpinista botar defeito!! hahaha

 

 

Para saber mais:

 

Ouro Preto no site Viaje Aqui

Site do Trem da Vale

 

Compartilhe

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *