Planejamento financeiro | 11 dicas para aumentar sua renda

 

Nesta nova série de posts, o Cadeira Voadora vai tratar de planejamento financeiro

 

Pode parecer estranho um texto focado no planejamento financeiro para pessoas com deficiência. Afinal, nosso discurso é que elas são pessoas como quaisquer outras, não é mesmo?

Claro que são. Mas todas as pessoas têm particularidades, e nós temos algumas que impactam no equilíbrio das finanças. Quer ver?

 

A pessoa com deficiência tem despesas peculiares que impactam seu orçamento. Dois deles: equipamentos de mobilidade e adaptação da residência

 

Particularidades das pessoas com deficiência

 

1 – Muitas pessoas com deficiência não têm renda própria e dependem de familiares ou de benefícios do poder público

2 – Temos gastos muito altos com medicação, equipamentos (cadeiras de rodas, leitores de telas, próteses), tratamentos e outros

3 – Algumas pessoas com deficiência necessitam de assistentes pessoais

4 – Como a maior parte das nossas cidades não é acessível, podemos vir a ter gastos altos com transporte: automóvel adaptado (mesmo com isenção de impostos o investimento é alto), táxi adaptado, motorista particular

5 – Muitos também têm gastos extras com educação, já que a inclusão anda a passos lentos nessa área. Sendo assim, surdos precisam contratar intérprete de libras, por exemplo. E pais de crianças com deficiência intelectual às vezes optam por escolas mais caras para que o filho receba a assistência devida.

6 – Para ter acesso a lazer e turismo, as pessoas com deficiência também despendem mais dinheiro. Por exemplo: nos hotéis, não é comum encontrar apartamento standard (o mais barato) adaptado. Isso porque são quartos muito pequenos para permitir o uso por cadeirantes. Assim, os que necessitam da acessibilidade precisarão utilizar quarto de uma categoria acima.

7 – Apesar da lei de cotas, o mercado de trabalho ainda não está preparado para absorver a pessoa com deficiência. Sendo assim, boa parte desse público está desempregada.

Tendo isso em vista, a maioria de nós precisará ser criativa para ter ou aumentar a renda e administrá-la com inteligência. Do contrário, a realização dos nossos sonhos ficará comprometida. Mas como fazer isso?

 

Vamos adotar o hábito de fazer planejamento? — Image by © Royalty-Free/Corbis

 

Sem planejamento não se vai muito longe

 

Meus pais, que nunca tiveram renda alta, viram-na minguar após eu ter tido uma mielite transversa que gerou a deficiência física. Saímos do interior e viemos para a capital. Devido aos gastos imprevistos, e às novas necessidades, só tínhamos dinheiro para o que era muito básico: a comida do dia a dia e algumas peças de roupa.

Por causa disso, e também porque sempre fui uma pessoa com muitos sonhos, desenvolvi habilidades para ganhar dinheiro e utilizá-lo bem. Na verdade, meus pais foram um modelo para mim, porque faziam gastos responsáveis, não tinham dívidas e tinham criatividade para aumentar a renda.

Foi assim que, com cerca de 12 anos, comecei a fazer artesanato para vender (foi ideia minha). Fiz isso por muitos anos, pois assim conseguia comprar algumas coisas importantes para mim. Mais tarde, comecei a dar aulas particulares de português e matemática em minha casa, porque as condições físicas e as deficiências da minha cidade não me permitiam me deslocar até a casa do aluno. Eu não sabia disso na época, mas essa decisão, além de ter aumentado minha renda, acabou me ajudando quando fiz concurso público. Fui aprovada nos dois que realizei e, consequentemente, pude ter um emprego que me permitiu alçar voos.

A verdade é que, à medida que eu dava um passo, novas perspectivas surgiam. Como ganhei a simpatia e a confiança das pessoas, por causa do meu empenho e por buscar a qualidade em tudo que faço, muitas oportunidades bateram à minha porta. Acho que, também por isso, ganhei muita coisa: material para fazer artesanato, cursos, informações preciosas, caronas, roupas, livros, apostilas, assessoria, tratamentos e até duas ou três viagens. Nunca senti vergonha de ganhar o que eu não tinha, e até hoje recebo muito.

Mas, aqui pra nós, você daria essas coisas a alguém que não iria aproveitá-las? Eu, não.

Não sou ingênua de achar que tenho uma receita de bolo para lhe passar. Porém, meu aprendizado rende boas dicas e pode ser compartilhado, não é mesmo? E este é apenas o primeiro post da série sobre planejamento financeiro para pessoas com deficiência.

Hoje vamos falar sobre como gerar renda extra. Para o próximo, prometo uma entrevista com uma pessoa que nos auxiliará a entender o assunto sob a ótica da Programação Neurolinguística. Vamos em frente?

 

Não faz parte do meu temperamento ficar esperando as coisas caírem do céu. Uma forma de me capacitar e amadurecer sempre foi fazer trabalho voluntário. Na foto, grupo que participou da Oficina de Escutatória que desenvolvi para voluntários da Sociedade Espírita Everilda Batista

 

O que pode prejudicar nossa vida financeira?

 

Acredite: muitas coisas na vida são simples, e por isso às vezes a gente não dá valor. As dicas que vou te passar têm esta característica: são de execução simples. Não vou ensinar a aplicar na bolsa de valores, mesmo porque eu não sei.

Porém, por trás de dificuldades de ter renda maior podem estar inúmeras outras dificuldades que não são conscientes para nós. Então, não vai dar certo se você não prestar atenção nisso.

Culpas, baixa autoestima, adotar uma posição de vítima das circunstâncias são, por exemplo, condições que devem ser observadas caso a pessoa deseje progredir. Do contrário, ela não conseguirá sair do lugar. Por exemplo, se a pessoa tem ganhos (pode ser simplesmente recebendo atenção…) quando se comporta como vítima das circunstâncias, ela terá dificuldade de abrir mão desse papel e poderá vir a se boicotar sem perceber.

Outro dificultador pode estar na saúde física e mental. Se a pessoa não tem ânimo, vale investigar se não está com depressão, infecção urinária ou anemia, por exemplo, e tratar. Se não estiver se alimentando corretamente ou tomando a quantidade de água necessária, também não estará em condições de lutar pelos sonhos. Afinal, é preciso energia para isso. E muita.

Vamos prosseguir na reflexão?

 

Para começar, anotar e planejar!

 

 

11 dicas da Cadeira Voadora para aumentar sua renda

 

Você se permite sonhar? Ou acha que não tem condições de conquistar o que quer e por isso preferiu trancar os anseios na gaveta do fundo do armário? Primeira medida: tire os sonhos de lá. São eles que nos movem.

Quais são seus sonhos que podem ser adquiridos com dinheiro e planejamento financeiro? Ter um carro adequado, viajar para algum lugar legal, ter uma cadeira de rodas melhor?

Não é necessário ser rico para conseguir comprar o que é importante para nós (não estou falando de ambições desmedidas nem de caprichos). Mas é preciso planejamento de curto, médio e longo prazo. Vamos começar planejando um aumento de renda?

Dizem que a sorte favorece as mentes bem-preparadas e as pessoas que ela encontra caminhando. Então, simbora. Vamos caminhar.

 

Bem, a vida mostra que Peter Drucker está com a razão…

 

1) Busque qualificação. Que tal fazer um curso on-line? Hoje existem ótimos cursos, e alguns são gratuitos!

2) Uma boa forma de adquirir experiência e criar rede de contatos é fazer trabalho voluntário em alguma instituição. Já pensou que isso pode ser feito inclusive a distância?

3) Troque serviços com as pessoas: ofereça algo em troca do que necessita. Dessa forma, é possível alcançar o que precisamos sem ter de desembolsar dinheiro. Isso vale para tratamentos, educação, reparos em equipamentos, etc.

4) Negocie descontos. E explique sua situação quando fizer isso, para que o outro compreenda que você de fato precisa e que não é uma pessoa que desvaloriza o trabalho alheio.

5) Faça trabalhos a distância. A internet facilitou muito a vida da pessoa com deficiência. Você pode, por exemplo, dar aulas on-line; fazer tradução e revisão de textos; prestar consultoria; oferecer atendimento psicológico (o Conselho de Psicologia permite, desde que se tenha formação para isso). E pode receber o pagamento através de um depósito em conta. Mas cobre um preço justo: nem baixo demais, nem alto demais.

6) Crie uma loja virtual que ofereça algo diferente e de qualidade. Conheço gente que pagou a faculdade dessa forma.

7) Se tem talento para fazer algo com as mãos, vale recorrer a ele. Pense na infinidade de itens que você pode fazer e vender na escola, na vizinhança, numa loja bacana indicada por um amigo, no trabalho da sua mãe ou do seu pai! Brigadeiro-cupcake-arte-artesanato-cosméticos-livros. Só não vale drogas… 😉

8) Veja se consegue cortar ou reduzir algum gasto (sem ter que abrir mão de sua alegria de viver, é claro). Talvez seja possível, pelo menos por um tempo, pegar livros emprestados em vez de comprar; reduzir gastos com celular; abrir mão da TV a cabo; diminuir as saídas noturnas, e por aí vai. Mais uma coisa: muita gente que conheço não consegue diminuir os gastos porque insiste em achar que os familiares são incapazes e necessitam de auxílio financeiro pela eternidade… Pense nisso, se for o caso, e pare de deixar o dinheiro escoar pelo ralo.

9) Não gaste dinheiro com o que não for absolutamente importante para sua vida. Querer se parecer com outras pessoas, e gastar dinheiro para alcançar essa meta, é um tiro no pé. Você precisa mesmo ter essa despesa no cabeleireiro? Precisa mesmo comprar roupa dessa marca, não pode ser de outra? Quer mesmo fazer esse curso? Tem mesmo de ser padrinho de casamento dessa pessoa e dar um presente tão caro, além de desembolsar essa grana toda com roupa?

10) Use as redes sociais a seu favor, e não contra você. Avalie suas postagens no perfil ou crie uma página. Aproveite o Facebook, o Instagram e o Linkedin para divulgar suas habilidades e seus serviços. Mostre suas habilidades, e não apenas fale delas. Por exemplo: mostre que sabe escrever, escrevendo; interagir, interagindo; lidar bem com as diferenças, tendo um bom relacionamento com pessoas que pensam diferente de você.

11) Na minha opinião, rifa e vaquinha virtual não devem ser a primeira opção, e sim a última. Isso, porque todo mundo anda sobrecarregado com tantos pedidos de ajuda. Então, pense em recorrer a esse instrumento só em caso de emergência, ou em situações especiais, como o lançamento de um livro.

 

Não é necessário fazer nada mirabolante. Comece onde você está.

 

 

Pense um pouquinho e execute já!

 

Não sabe qual é o seu talento, a sua habilidade? Está na hora de descobrir, então! E confiar que você pode ganhar dinheiro com isso.

Em vez de ficar focados na lamentação e no sentimento de ser vítimas das circunstâncias, precisamos buscar soluções com criatividade, inteligência e autoconfiança. É preciso crer nas próprias forças e nas habilidades para prosseguir. Pouco a pouco. Se agora você não consegue, não é motivo para não começar a fazer algo.

Mas não se engane: é preciso ação. Decida logo e comece já, a tempo de estar preparado para meu próximo texto! =)

 

 

Muito bem, hoje ficamos por aqui. Deixe aí embaixo a sua pergunta sobre planejamento financeiro e aumento de renda, e eu me comprometo a correr atrás da resposta.

Ou talvez você queira dar mais alguma dica!! Use o espaço dos comentários, abaixo! Vamos adorar.

Agradeço por voar comigo!

Um beijo, Laura

 

Sem deixar a zona de conforto, nada acontecerá. Riscos fazem parte da vida! E se você voar?

 

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2 Comments

  1. Edileuza Ferreira Calazans

    Bom dia Laurinha ,
    Vc tocou em um ponto que tem me incomodado bastante , tenho minha renda fixa , faço scrapbooking ….inclusive posso enviar para qq parte do país e garanto que é de qualidade , me capacitor para isso .
    Mas … não tenho cliente em potencial , as pessoas acham caro e não consigo alavancar as vendas .
    Como os gastos são grandes no cotidiano , pouco resta para investir em viagens pq realmente sai mais caro pelo simples fato de necessitamos de quartos que nos atendam ou , até mesmo arcar com as despesas de uma pessoa para nos auxiliar para entrar na água, transitar por uma via de pedras , escadas …
    Como se vc tivesse relatando o ponto onde estou , e tenho uma filha de 12 anos que deseja muito conhecer lugares novos , divertir … e eu tbm . E meu recurso não tem permitido .
    Aceito de coração aberta dicas específicas para o meu caso .
    Tenho muitas dores lombar , mas ainda assim , se tiver encomenda posso produzir em gde escala .
    Me ajuda a alavancar minha renda .
    Nessas férias, ainda não saímos e ela está frustrada.

    • Edileuza querida, grata por compartilhar conosco esses desafios, que, no final das contas, são comuns a muitas pessoas, né?

      Você escolheu trabalhar com algo maravilhoso, que é o scrap. Mas de fato é um artesanato caro e que nem todo mundo conhece. Não sei em sua cidade, mas por aqui o material não sai barato. Além disso, como o “artesanato” que vem da China tem penetrado cada vez mais no país a um preço baixíssimo, as pessoas que não entendem de qualidade acabam considerando caro o verdadeiro artesanato.

      Vou te fazer algumas perguntas, para que a gente possa pensar juntas:

      – Onde você vende/expõe sua produção?
      – Você acha que em sua cidade há mercado para este tipo de artesanato?
      – Você tem uma loja virtual? Se não tem, já pensou nessa hipótese? Pode ser no Elo 7, no Mercado Livre ou mesmo num site próprio.
      – Você tem uma página no Facebook e uma conta no Instagram e no Pinterest para divulgar seu trabalho?
      – Você tem fotos de qualidade mostrando seu trabalho? Você sabe descrevê-lo de forma a convencer as pessoas de que é um trabalho bem-feito?
      – Qual é o diferencial de seu trabalho? Por qual razão eu deveria comprar de você e não de outra pessoa? Você consegue bons argumentos para isso?

      Fico aguardando sua resposta. Se desejar continuar esta conversa por e-mail, fique à vontade. Basta escrever para fazendoacadeiravoadora@gmail.com

      Torcendo por vc! Um grande beijo!

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