Potencial de mercado do turismo acessível

 

Neste post, mostrarei por qual razão trazer a acessibilidade para o setor de turismo é uma questão de inteligência.

 

Todas as fotos das palestras, exceto quando indicado, foram tiradas pela competentíssima fotógrafa Júlia Duarte (Olhar Registrado)

 

Em outubro, tive a oportunidade de realizar três palestras em Belo Horizonte, para tratar do turismo acessível. Elas tiveram enfoques diferentes e, consequentemente, públicos diferentes. Foi uma experiência muito gratificante, pelos contatos que fiz e as conversas que tive, mas principalmente pela oportunidade de expor o tema e desmistificá-lo.

Neste post, contarei um pouco sobre a experiência e farei um resumo das três exposições. Num outro momento, falarei de cada uma separadamente.

Me sinto grata e honrada por ter estado na Academia Mineira de Letras e no Museu das Minas e do Metal representando o projeto Vai Mundo, que tomou meu coração. A programação fez parte da prévia para o grande evento Museomix, que foi realizado agora, em novembro.

 

Divulgação de uma das palestras

 

Turismo e acessibilidade: Efeito Tostines

 

É verdade que há inúmeros fatores que influenciam o poder público e a comunidade a tornarem acessível um dado local. Contudo, tenho observado que as cidades que recebem um volume maior de turistas tendem a ser mais acessíveis que as outras.

É comum vermos cadeirantes transitando nas ruas das cidades mais acessíveis. E é também bastante comum ouvir a seguinte justificativa para o estranho fato de um estabelecimento NÃO CUMPRIR A LEI e não ser acessível: “Nenhum cadeirante vem aqui… Por isso, não é viável fazer esse gasto com acessibilidade.”

 

Com Marcos Fontoura e Michele Malab, na mesa-redonda que abriu os trabalhos do Vai, Mundo no Museomix (foto pertencente ao meu acervo)

 

Então, na primeira palestra que proferi (compondo mesa-redonda), propus ao público esta questão: não é acessível porque as pessoas não vão, ou as pessoas não vão porque não é acessível?

Esse tipo de raciocínio é conhecido como “efeito Tostines”, devido ao slogan de uma publicidade antiga dessa marca de biscoitos, que dizia assim: “Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”

O dilema Tostines tem uma resposta simples: as duas afirmativas estão corretas. Isso nos leva a outros raciocínios e a muitas conclusões, que vou expor para vocês na próxima postagem acerca do assunto. Por ora, é útil pensar no fato de que o turismo é uma excelente ferramenta para alcançarmos o crescimento da acessibilidade. No vídeo abaixo, veja os minutos iniciais da palestra:

 

 

 

Potencial de mercado

 

Na segunda palestra, dirigida ao gestor da área de turismo, trabalhei com a ideia de que fazer turismo acessível não é demonstração de humanidade, caridade, nem é uma “atitude linda”, como vemos em comentários a postagens nas redes sociais.

É uma atitude inteligente.

O turismo acessível é um mercado subestimado, com enorme potencial econômico, que vai aumentar significativamente nos próximos anos. Isso, porque a expectativa de vida vem crescendo, o que faz com que a população idosa aumente, e esse é um público que tem procurado viajar e se dedicar à cultura e ao lazer. Além disso, a violência também tem aumentado, gerando cada vez mais pessoas com deficiência. E, por último, cada vez mais as pessoas com deficiência têm deixado o isolamento do lar e procurado opções de lazer, o que torna esse segmento um potencial consumidor de turismo.

 

Palestra no Museu das Minas e do Metal

 

Contudo, é um público que vem sendo relegado, o que não é uma atitude inteligente do ponto de vista econômico-financeiro. O mercado de turismo tem ficado cada vez mais competitivo; não parece claro que prestadores de serviço que oferecem acessibilidade têm sua imagem afetada para melhor? E têm possibilidade de oferecer um diferencial e, assim, ganhar uma boa fatia de mercado?

Não há turismo que seja sustentável se ele não inclui todos os tipos de público.

Este também é um assunto que vai continuar numa próxima postagem. Agora, o objetivo é deixar algumas ideias para pensarmos.

 

Como preparar uma viagem com acessibilidade

 

A terceira palestra foi a que mais gerou interesse: muita gente quer aprender a lidar com os desafios que cercam a preparação de uma viagem para uma pessoa com deficiência.

É por isso que resolvi dedicar mais tempo e espaço a este assunto. Minha intenção é fazer várias postagens e vários vídeos, e não apenas divulgar os que gravamos durante as palestras. Vou preferir fazer intervenções mais curtas e mais focadas, com assuntos do tipo: como escolher hotel, como adquirir as passagens, viajar sozinho ou acompanhado, escolha do destino, como juntar dinheiro e por aí vai.

 

Este é um dos slides que usei na palestra. Nesta parte, falei sobre a escolha do hotel

 

Anos dedicados às viagens me trouxeram uma experiência muito grande, que precisa ser compartilhada de forma a alcançar cada vez mais pessoas que necessitam de informações precisas e confiáveis. Textos escritos não são suficientes.

Sendo assim, aguardem novidades!

Nas fotos abaixo, público presente às palestras no Museu das Minas e do Metal:

 

 

Agradecimentos

 

Nunca é demais agradecer ao Vai Mundo, ao Museomix, à Academia Mineira de Letras e ao Museu das Minas e do Metal por tornarem esta experiência possível. Sou muito grata também à Tina Duarte, assessora do blog, e à Júlia Duarte, que fotografou com muita competência as palestras. Por fim, grata ao público presente, que fez com que eu saísse do trabalho imensamente enriquecida em vários aspectos.

Vai, mundo! Precisamos que você esteja mais inclusivo para as próximas gerações! Estamos plantando carvalhos, não eucaliptos. Demoram a crescer, mas são fortes e frondosos.

Nossas rodas podem ganhar o mundo!

 

Nossas rodas podem ganhar o mundo!

 

Para saber mais:

 

Vai, Mundo: Em busca da inclusão plena

 

No início e no final da palestra, a gente tem a melhor oportunidade do mundo: o contato com as pessoas. Tinha até criança, olha que delícia. A mãe me explicou que promove essas interações para que os filhos tenham a oportunidade de conviver com todas as pessoas e assim compreender o universo do outro. Palmas pra ela.

 

 

 

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6 Comments

  1. Não. Não vou falar que é lindo Laura! Mas é inteligente emocional e esteticamente o seu empenho. Beijos

  2. Denise Martins Ferreira

    As palestras foram excelentes e esclarecedoras para todos que ali estavam. Aprendi muito.

  3. Muito feliz pela sua palestra e publicação. Sucesso nesta luta que o turismo pode e deve proporcionar para que todos saiam para circular por aí afora. Bjs grandes.

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