Rio de Janeiro: acessibilidade no metrô

 

Você vai ao Rio de Janeiro, tem uma deficiência física ou mobilidade reduzida e quer utilizar o metrô? Vou te dar 8 dicas para fazer isso sem estresse!

Estou descendo as escadas usando plataforma elevatória, a fim de embarca no metrô da Estação Carioca. (Todas as fotos deste post são de autoria de Marta Alencar, exceto quando indicado)

Estou descendo as escadas usando plataforma elevatória, a fim de embarcar na Estação Carioca. (Todas as fotos deste post são de autoria de Marta Alencar, exceto quando indicado)

 

Por Laura Martins

Atualizado em 9/10/2016

 

Eu não conheço tantas cidades assim, mas posso dizer que em nenhum lugar achei simples a experiência de pegar metrô estando em cadeira de rodas. Nem em Paris, nem em Nova York, nem em Londres – e nem no Rio.

Por isso, em minha opinião (e ela vale para os andantes também), sempre é necessário avaliar se vale mais a pena pegar ônibus, ir a pé ou mesmo ir de táxi ou über. Cada caso é um caso, e não acho que haja regras.

Se na cidade houver ônibus adaptado, e não for horário de pico, o metrô não me parece boa opção, porque em geral é complexo e longo o trajeto até o embarque. Além disso, há aquele bendito vão entre a plataforma e o trem, maior ou menor dependendo do local, o que pode tornar o embarque/desembarque uma aventura. E mais: nem sempre nos metrôs há locais adequados para o posicionamento da cadeira de rodas, o que, convenhamos, pode ser um fator que represente risco de acidente. Ou seja: cada qual vai precisar avaliar qual é a melhor opção para si.

 

Metrô Rio (Foto de Filipe Anacleto | Wikipédia)

Metrô Rio – observe, no piso, o símbolo de acesso. Ele fica nas duas extremidades e indica onde pararão os vagões com acessibilidade (alguns trens são mais antigos e não dispõem desse vagão)
(Foto de Filipe Anacleto | Wikipédia)

 

Dito isso, vamos às 8 dicas para usar o metrô na Cidade Maravilhosa?

 

  1. Que tal dar uma examinada no site do metrô antes de escolher o hotel? Assim, você descobrirá os itens de acessibilidade em cada estação, onde elas se localizam e poderá optar por um hotel que fique próximo a uma delas. Nesta última viagem, ficamos a duas quadras de uma. Clique aqui para descobrir quais são os recursos de acessibilidade no metrô do Rio.
  2. No site do metrô, há uma linha na parte superior indicando as abas de informação. Passe o cursor do mouse sobre Estações e clique na estação desejada para se informar sobre os equipamentos de acessibilidade que ela oferece.
  3. Parece óbvio, mas pode não ser para muita gente: não é apenas a estação de embarque que precisa oferecer a acessibilidade que vc precisa; a de desembarque também! Mesmo que depois você precise percorrer alguma distância “a pé”, escolha desembarcar em uma estação totalmente acessível. A notícia que tenho é que, atualmente, todas são acessíveis (acho essa informação controvertida, porque, para ser acessível, precisaria oferecer segurança e autonomia). Considere, por exemplo, que a Estação Maracanã tem uma rampa excessivamente íngreme para alcançar o estádio. Então, considere se isso não oferecerá risco para você.
  4. O metrô do Rio tem um diferencial: dispõe de seguranças atentos e à disposição. Porém, não é sempre que os botões para chamá-los funcionam (antes que alguém fale mal, saiba que não acontece só no Brasil). Se acontecer com vc, e estiver desacompanhado, peça a alguém para procurá-los (eles ficam em uma sala logo na entrada). Os cariocas costumam ser gentis.
  5. Não tenha vergonha de pedir informações ao segurança. Há situações que não ficam explicitadas no site e que podem se alterar de um momento para outro.
  6. Sobre o uso das plataformas elevatórias. Em algumas estações acessíveis, não encontramos elevadores, mas uma plataforma elevatória que acompanha a escada. Eu a considero muito insegura, mas ela é usada também em outros países. Para utilizá-la pela primeira vez, é preferível chamar o segurança do metrô. Não tente acioná-la sozinho, porque há alguns passos que devem ser seguidos para que a operação toda dê certo.
  7. Metrô na Superfície é a continuação/extensão do trem subterrâneo; o trajeto é feito por ônibus. Surpresa: descemos na estação General Osório para pegar o ônibus rumo ao Jardim Botânico, mas não tinha ônibus acessível disponível. Perguntei por quê, e me responderam que a plataforma elevatória estava quebrada. Alinhavei outras perguntas em seguida, no estilo Mafalda (a personagem do Quino): Quantos ônibus adaptados há na linha? (Resposta: 2) Esta linha tem quantos ônibus no total? (Resposta: 20) Pasmem: somente 10% da linha está adaptada. Ninguém merece. Mas eles mesmos se ofereceram para me carregar no embarque e no desembarque, diante da minha cara de “desespero”. Eu aceitei, porque sou maluca mesmo. Não aconselho que faça o mesmo, já que os degraus do ônibus são muito altos. Eu sou peso-pena, e minha cadeira não pesa quase nada; fica relativamente simples ser carregada, mas não sem riscos…

 

É isso. Creio que essas dicas deixarão seus deslocamentos no Rio muito mais tranquilos. Até a próxima!

 

Todas as vezes em que utilizei metrô no Rio (e nesta viagem não foi a primeira vez), sempre fui atendida com atenção e gentileza pelos seguranças.

Todas as vezes em que utilizei metrô no Rio (e nesta viagem não foi a primeira vez), sempre fui atendida com atenção e gentileza pelos seguranças.

 

Para saber mais:

 

Site do Metrô Rio

Outros posts sobre o Rio no blog Cadeira Voadora

 

 

 

A plataforma não é simples de operar, mas o segurança explica tudo minuciosamente e treina com você.

A plataforma não é simples de operar, mas o segurança explica tudo minuciosamente e treina com você.

 

 

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2 Comments

  1. Muito bom seu blog!!!! E muito útil!!!! tal vez você não saiba, mas ajudou a uma mãe e seu filho argentino a ter umas férias maravilhosas no Rio. Parabêns!!!!

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