Santiago do Chile | Dicas para cadeirantes

Com este post finalizo a série #CadeiraVoadoraNoChile. Vamos passear pela capital Santiago?

 

Tirei esta foto no Sky Costanera. A vista é muito linda, não? No tapete, está escrito “Rio Mapocho”, indicando que ponto da cidade é possível visualizar naquela posição. (Todas as fotos pertencem ao meu acervo, exceto quando indicado)

 

 

Santiago é uma cidade instigante: tem tanto a parte histórica, com belos prédios de época e o registro de um passado doloroso ligado à ditadura, quanto a região ultramoderna, com seus altos e imponentes edifícios; tem museus diversos e espaços culturais; lindas praças e parques; ótimos restaurantes e uma noite animada. Bons vinhos podem ser degustados por um preço muito acessível. Difícil não gostar de uma cidade assim, não é mesmo?

E o que é melhor: se você der sorte e houver boa visibilidade nos dias em que estiver lá, poderá usufruir da presença majestosa da Cordilheira dos Andes a partir de vários pontos da cidade.

Concordo totalmente com o que disse Ricardo Freire no site Viaje na Viagem, que eu sempre consulto quando estou na fase do planejamento das viagens:

 

“Se essa é a sua primeira vez, saiba que dificilmente será a última. O Chile é lindo e cativante – e tão cheio de atrações, que não dá para visitar tudo de uma vez só. A cada volta você vai precisar dar ao menos uma passadinha por Santiago, e com isso pode fazer algum programa que não tenha conseguido entrar na agenda da viagem de estreia.” Clique aqui para ler o texto inteiro.

 

É isso! Você vai querer voltar!

Neste post, vou te indicar alguns passeios. Para fazê-los, Santiago oferece vários meios de locomoção. Falei sobre esse assunto no primeiro post da série, que você pode ler aqui.

Vamos em frente?

 

Andar sem rumo | Praça Baquedano, Patio Bellavista e La Chascona

 

Como em toda cidade que tem belas paisagens e construções interessantes, um bom jeito de passear é andar sem rumo. Dessa forma, a gente descobre cantinhos que não estão em nenhum guia turístico e ainda interage com os habitantes.

Do hotel onde ficamos, era muito fácil contornar a bela Praça Baquedano, atravessar o Rio Mapocho e seguir rumo ao Patio Bellavista, ao jardim zoológico e a La Chascona, uma das casas do poeta Pablo Neruda.

 

Minha mãe me fotografando na Praça Baquedano.

 

Em Santiago também tem ponte com cadeados… Está localizada perto da Praça Baquedano, sobre o Rio Mapocho. Na foto, estou entre Ulysses e Lilia.

 

Da mesma forma, ficava bem perto da Rua José Victorino Lastarria, que tem excelentes bares e restaurantes.

A acessibilidade nessa região varia. Os pontos de ônibus são cobertos e têm espaço vazio para posicionar a cadeira de rodas; os passeios, de modo geral, estão em estado de razoável para ruim; muitos rebaixamentos estão quebrados. Não é fácil atravessar a avenida, porque nem sempre há faixas de segurança, mas pode ficar tranquilo: você acaba encontrando jeito.

Agora, vou detalhar cada ponto que visitamos nessa área.

 

Loja da Entel no centro da cidade. Acessibilidade zero.

 

Patio Bellavista

 

É um shopping a céu aberto, com algumas lojas de souvenir (uma parte delas tem um pequeno degrau) e muitos restaurantes. Toma quase todo o quarteirão.

Utilize as entradas laterais, que não têm degrau. Como ele foi construído em vários níveis, na parte interna há algumas rampas para evitar as escadas. Mas há lojas localizadas nas laterais das escadas, que são inacessíveis aos cadeirantes, a não ser que alguém suba com você.

Tirei esta foto para te mostrar que o Patio Bellavista é bem bacana. Este é o andar no nível da rua lateral. Como você pode ver, há outro em cima. E na foto abaixo te mostro o andar inferior.

 

Sabe a famosa escarrampa (rampa construída entre os degraus)? Pois veja nesta foto um exemplar. Mas a rampa não tem corrimãos e é muito estreita. Um risco e tanto, principalmente se considerarmos que no piso inferior só há bares… Se beber, não desça a rampa…

 

Este é o piso superior, ao qual se tem acesso por rampa ou escada. Mas o shopping tem mais desníveis, alguns difíceis de alcançar, por conta das escadas. Observe: as “lojas” (estão mais para boxes) são fabricadas em metal, e todas desse tipo têm degrau. Bola fora!

 

Algumas lojas ficam na lateral das escadas. Subi, com ajuda de Ulysses, só para tirar esta foto.

 

 

Restaurante Como Água Para Chocolate

 

Fica ao lado do Patio Bellavista, na mesma quadra, e é muito querido dos turistas brasileiros, talvez por sua decoração inusitada, inspirada no filme de mesmo nome.

Nós não aguentamos a curiosidade e fomos conferir. De fato, é um ambiente muito bonito, e a comida estava gostosa, mas não acima da média. Os drinques também estavam bons!

Acessibilidade: Tem um degrau na entrada, o piso é irregular, e não tem banheiro acessível. Eu consegui usá-lo, mas minha cadeira de rodas tem 58cm de largura, e sou bastante ágil e forte. Então, não tome como parâmetro.

Calma. Tem mesas no térreo… Mas é bonito, né?

 

Todos os pratos que pedimos estavam gostosos. E bonitos.

 

 

La Chascona

 

As ruas que percorremos até uma das casas de Pablo Neruda, que hoje se transformaram em museu, rendem um passeio muito agradável.

A casa é totalmente inacessível. Nos limitamos a tirar algumas fotos do lado de fora, mesmo porque estava fechada, já que era dia 19 de abril, um feriado irrenunciable (leia aqui para saber o que é isso). Mas não me arrependi de ter ido; sempre gosto de curtir a vibe dos lugares, mesmo que não seja possível entrar.

 

Jardim Zoológico

 

Também estava fechado, mas, pelo que soube, não tem acessibilidade. O Cerro San Cristóbal também não.

 

La Chascona estava fechada. Mas vale fotografar do lado de fora, sob a placa com o símbolo do local. Uma coisa que havia me esquecido de te contar: pichações são comuns pela cidade, feitas pelos universitários.

 

Santiago não é Valparaíso, mas o povo também ama os grafites. Este é bem bonito e está no lado externo de La Chascona.

 

Veja que grade linda. Encontramos essa belezura pertinho de La Chascona.

 

 

Barrio Lastarria

 

É a região que fica imediatamente em torno da Calle Lastarria. A rua principal rende um passeio delicioso a qualquer hora, principalmente à noite, pois está sempre movimentada, com gente alegre e bonita, e tem excelentes bares e restaurantes, alguns muito charmosos!

Nosso preferido foi o Bocanáriz, um bar para os amantes de vinho – a carta tem quase 400 rótulos! Pode-se pedir apenas uma taça (de dois tamanhos) ou a garrafa. São poucos pratos – deliciosos – e vários tira-gostos; tudo para harmonizar com os vinhos da casa.

Na base da taça, é colocado um disco de papel com a identificação do vinho e o ano da safra, o que achei muito interessante.

Não tem acessibilidade, mas é possível entrar com cadeira de rodas, porque a entrada tem somente um degrau fácil de transpor. No interior, é possível encontrar espaço para entrar com a cadeira, desde que não esteja cheio demais. O atendimento varia, mas numa das noites fomos atendidos por Juan Pablo e Francisco, extremamente gentis. Ah, não vá sem reserva, para não correr risco!

 

As taças trazem a identificação do vinho, no Bocanáriz.

 

Cartão do Bocanáriz

 

 

Centro da cidade

 

Estava chovendo no dia em que visitamos esta região, infelizmente. Mesmo assim, conseguimos andar um pouco pelas ruas, que têm um rico patrimônio histórico, shoppings e cafeterias diversas. Lamentavelmente, muitos lugares não têm acessibilidade, incluindo lojas que vendem chips para celular e farmácias…

O Palacio de la Moneda é a sede da presidência chilena. Na bonita praça, está a estátua do presidente deposto Salvador Allende. Vale a visita.

 

La Moneda sob chuva. Bonito, né?

 

Minha mãe e eu na praça do Palácio La Moneda. A chuva dificulta, mas as paisagens ficam lindas.

 

Estou batendo um papo com Salvador Allende.

 

Sky Costanera

 

Este é um passeio obrigatório, na minha opinião. Trata-se do mirante localizado no topo do prédio mais alto da América Latina, no 61º e 62º andar.

De lá, é possível ver toda a cidade, incluindo a majestosa Cordilheira dos Andes, se a visibilidade estiver boa. Mas as condições do tempo você pode perguntar no guichê onde vai adquirir os ingressos.

Os elevadores sobem os 61 andares em 43 segundos (7 metros por segundo!!!), mas não causam vertigem, porque um funcionário dá explicações enquanto estamos subindo, o que acaba distraindo o público.

Fui sozinha, acreditam? Meus acompanhantes não acharam o programa interessante e ficaram no shopping. Sabe aquela história de que cada um tem um gosto? Pois é.

Perguntei, na entrada, se era seguro um cadeirante subir sozinho, e me disseram que não havia problema. Me deram total assistência, e notei que os seguranças do terraço me olhavam discretamente por onde quer que eu passasse, até mesmo oferecendo auxílio de vez em quando.

Após comprar o ingresso, é necessário passar por um detector de metais e também pelo raio-x (esta parte estou em dúvida; não me lembro direito). Não é permitido entrar com garrafinha contendo água.

Vale muito a pena planejar para ir ver o pôr do sol e aguardar as luzes da cidade se acenderem! A Rosi, do Nós no Chile, dá dicas sobre os melhores horários nas diversas épocas do ano. Clique aqui para ler.

O elevador te deixa no 61º andar. Prepare-se para o impacto, porque a vista é muito bonita!

Nesse andar, há diversos telescópios, correspondentes às várias regiões da cidade; o uso está incluído no ingresso e não é preciso pagar à parte. Não são acessíveis para cadeirantes.

Ao lado de cada telescópio, há um ou dois pufes e um tapetinho redondo, onde está o nome da região que é possível avistar daquele ponto. Assim que você pisa no tapete, mesmo com a cadeira de rodas, tem início uma gravação, para te dar informações sobre o local avistado. Na parede, está um quadrinho com essas informações impressas. Achei muito bem-bolado.

 

Costanera: o edifício mais alto da América Latina. Fotografei este painel no 61º andar. Clique para ampliar e ver quais são os mais altos do mundo.

 

Sem dúvida, um bom passeio. O espaço é belo, a vista também.

 

Rio Mapocho visto de lá de cima!

 

Para andantes acessarem o 62º andar, que é descoberto, há uma escada rolante. Para os cadeirantes, há um elevador oculto, que você acessa para depois subir de plataforma elevatória. Logo que acessei o 61º andar, um funcionário me abordou para explicar que, quando eu quisesse subir para 62º, precisava somente comunicar a um dos seguranças. Eles providenciariam um funcionário para me acompanhar. Assim foi.

A atração do andar de cima é o fato de não ter cobertura e a gente poder ver o céu.

Caso seja uma estação fria, leve agasalho pesado. No 61º, tem ar-condicionado bastante frio; no 62º, como é aberto, o visitante estará exposto ao clima.

Este é o 62º andar. Aberto e gelado no outono…

 

Como chegar

A torre é um anexo do Shopping Costanera Center. Aproveite para conhecê-lo, pois é muito moderno e bonito.

Nos modernos elevadores, ao chamá-lo você precisa apertar o número correspondente ao andar ao qual deseja ir. A seguir, aparecerá o número do elevador que você deverá tomar. Aperte também a tecla com o símbolo internacional de acesso (o da cadeirinha de rodas). Isso assegurará que a porta ficará aberta durante tempo maior.

No piso térreo, há um balcão onde estrangeiros podem se cadastrar para receber descontos nas lojas. Apresente seu passaporte e cartão de imigração. Para saber mais, clique aqui.

 

Na foto, o ticket para subir ao Sky, o cartão do shopping e o carimbo no passaporte. Lembranças…

 

Para acessar o Sky Costanera, é preciso descer até o subsolo (“planta baja”). É lá que fica a entrada para a torre. Acesse o site ou baixe o app para ver horários e investigar os dias em que os ingressos são mais baratos.

No retorno da visita, o elevador te deixará no 5º andar (ou no 6º… minha memória não anda muito boa). Assim que a porta se abrir, você dará de cara com a lojinha de souvenir do Sky. Saindo dela, uma imensa praça de alimentação (povo esperto, né?). E vai precisar rodar bastante para acessar o elevador.

Mas tenho certeza de que não vai reclamar dessa pegadinha, porque terá valido a pena o esforço!

 

Foto da torre Sky Costanera. Veja como é linda! (Foto retirada do site oficial)

 

Acessibilidade

  • Balcão altíssimo para adquirir ingresso
  • Funcionários gentilíssimos e atentos
  • Elevador suave; não dá solavancos
  • Piso muito liso
  • Banheiro acessível

 

Bem, pessoal, fico por aqui. Com uma pontinha de tristeza, combinada com saudades, finalizo a série #CadeiraVoadoraNoChile.

Mas finalizo também com muita gratidão à vida e aos meus companheiros de viagem, assim como a todas as pessoas que nos ajudaram nesta aventura. Foi uma viagem fantástica!

 

Para saber mais:

 

Sky Costanera | site oficial

Sky Costanera no site Viaje na Viagem

Sky Costanera no blog Nós no Chile

 

Pare e tome um café no Patio Bellavista…

 

Ponto de ônibus com painel de campanha incentivando a leitura. Adorei! As frases sempre são instigantes.

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