Uma homenagem à minha mãe

O Dia das Mães se aproxima, e eu não quero perder a oportunidade de homenagear a minha mãe, e, por extensão, todas as mães que têm filhos com deficiência… Então, por alguns instantes, e só por alguns, vou dividi-la com vocês, combinado? 

Na foto, minha mãe e eu estamos juntas no meu aniversário do ano passado, celebrando a vida... (Todas as fotos pertencem ao meu acervo)

Na foto, minha mãe e eu estamos juntas no meu aniversário do ano passado, celebrando a vida…
(Todas as fotos pertencem ao meu acervo)

 

Mãe costuma ser alguém muito especial na vida das pessoas com alguma deficiência.

Não quero ser romântica, nem clichê e nem mesmo ingênua: sei que os relacionamentos são, comumente, cheios de conflitos. Às vezes elas limitam nossa autonomia com superproteção, e não raras vezes estabelecem uma simbiose com o filho ou filha, deixando de viver a própria vida para se dedicar de corpo e alma ao outro. E isso não é bom para ninguém.

Mas mães não são perfeitas, não são super-heroínas, por mais que elas tenham forças, resistência e resiliência que só a maternidade faz despertar.

Nasceram do mesmo barro que cada um de nós – e sem manual de instruções. São simplesmente humanas, e cada uma agirá do jeito que der conta, e não do jeito que nós, filhos exigentes, queremos.

 

Olha ela aí, junto com meu pai, me segurando no colo! =)

Olha ela aí, junto com meu pai, me segurando no colo! =)

 

Feita essa introdução, quero prestar uma homenagem a minha mãe.

Confesso que faço tentativas de homenageá-la todos os dias, quando procuro ser uma boa pessoa, a melhor que eu posso dentro de minhas limitações (e não estou falando das físicas…). Tento homenageá-la quando mantenho a fé, mesmo quando as ondas quase me sufocam no mar nervoso da vida. Afinal, foi ela quem me ensinou a manter a confiança nos processos da existência… Busco homenageá-la com o comportamento que adoto diante das pessoas que me desrespeitam, pois ela me ensinou a protestar, a exigir meus direitos, mas também a ter tolerância com as limitações e deficiências alheias.

Busco homenageá-la destinando a ela uns poucos minutos do meu tempo tão restrito, perto da imensidade do tempo que ela investiu em mim. Ficando meses internada comigo em um hospital, quando a mielite atingiu nosso trajeto. Permanecendo horas noturnas à beira da minha cama, folheando revistas comigo, quando eu ficava doente, para que eu não me sentisse sozinha. Sendo parceira durante todos esses anos, me incentivando, acreditando em meus potenciais (quando eu própria não acreditava), me apoiando nos meus sonhos. E me respeitando até mesmo quando ela não concordava nem um pouco com as imposições da minha personalidade ousada, aventureira e até mesmo arrogante.

(Mas ela não me apoiou de jeito nenhum, diga-se de passagem, quando bati as asinhas, aos vinte e tantos anos, para ter minha própria casa… Mas isso se compreende nas mães, não é mesmo?)

 

Minha mãe ama viajar. Será a quem eu puxei? N foto maior, ela está em Santiago do Chile; na menor, em Buenos Aires.

Minha mãe ama viajar. Será a quem eu puxei? N foto maior, ela está em Santiago do Chile; na menor, em Buenos Aires.

 

Vivemos inúmeros conflitos, em busca da aceitação mútua. Nosso relacionamento jamais foi um mar de rosas. Hoje, ambas mais maduras, sabemos respeitar nossos jeitos de ser e aproveitar o que temos de melhor.

O que eu teria feito sem você, mãe? Tenho certeza de que escolhi nascer sua filha. Só não tenho certeza se você aceitou a incumbência assim, logo de cara, ou se foi necessário que insistissem muito. Porque não é fácil ser mãe de uma pessoa tão sem limites, tão cheia de ideias sem pé nem cabeça… E, ainda por cima, uma garotinha que exigiria tantos cuidados peculiares e tanta atenção.

Eu só quero agradecer. E dizer que todos os dias eu continuo escolhendo ser sua filha.

 

Minha mãe e eu viajamos juntas inúmeras vezes. No sentido horário: em Aruba, em Santiago e em Poços de Caldas.

Minha mãe e eu viajamos juntas inúmeras vezes. No sentido horário: em Aruba, em Santiago e em Poços de Caldas.

 

Na foto, minha mãe com a família.

Na foto, a família reunida. Meu pai já está morando do outro lado da vida.

 

Você agora está uma charmosa senhora de 74 anos, prestes a celebrar mais um aniversário. Tem um neto sapeca e muito amado, ao qual você tem oferecido todo o seu amor. Não dispõe mais das forças de outros tempos; é natural, né? A verdade, porém, é que continua lúcida e generosa como nunca.

Que eu possa ser pelo menos uma pálida imagem da sua generosidade e da sua fé na vida! No Dia das Mães, quero lhe dar os parabéns por ter sido a melhor mãe que você conseguiu ser. Isso é suficiente. Receba toda a minha gratidão!

E que as mamães de pessoas com deficiência se sintam abraçadas por nós com muito carinho, de forma que, mesmo à distância, possamos fortalecê-las com nosso amor, diante dos desafios que enfrentam.

 

Que se sintam homenageadas todas as mamães de pessoas com deficiência!

Que se sintam homenageadas todas as mamães de pessoas com deficiência!

 

Mãe

 

 

 

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