Vale a pena voar pela British Airways? E pela Gol? O que é voo codeshare?

Neste post, compartilho com você uma avaliação de voo pela British Airways e pela Gol e te explico o que é um voo codeshare, detalhando os riscos que corremos quando optamos por outro tipo de voo!

 

Veja meu bilhete aéreo: este é um voo codeshare, ou voo compartilhado.

Veja meu bilhete aéreo: este é um voo codeshare, ou voo compartilhado.

 

Antes de qualquer coisa, quando o assunto é viagem aérea, vale um alerta: sempre, mas sempre mesmo, leia todas as informações que a companhia escolhida disponibilizar sobre o atendimento a usuário de cadeira de rodas ou com mobilidade reduzida, para não ser pego de surpresa e saber como realizar os pedidos de que necessitar.

E hoje começamos com uma dica importante para quem vai para o exterior: o ideal é optar por um voo codeshare. Mas o que significa isso?

Codeshare é um acordo de cooperação pelo qual uma companhia aérea transporta passageiros cujos bilhetes tenham sido emitidos por outra companhia. O objetivo é oferecer aos passageiros mais destinos do que uma companhia aérea poderia oferecer isoladamente.” (Explicação extraída do site da Emirates)

 

Explicando melhor: em minha viagem para o Reino Unido, comprei as passagens para voar pela British Airways. Porém, de Belo Horizonte até São Paulo, de onde  partiria o voo para a Londres, o trajeto foi feito por uma companhia parceira. Você não compra as passagens separadamente, compra uma só, e isso traz alguns benefícios:

  • Permanece a franquia de bagagem. No caso da British, 2 malas de 32kg. Ou seja: de Belo Horizonte até São Paulo, e de Londres até Newcastle, permanece este limite. O que aconteceria se eu tivesse comprado as passagens separadamente? Nos voos internos, tanto no Brasil quanto na Inglaterra, eu teria de respeitar o limite da outra companhia que emitisse a passagem, sob pena de ter de pagar muito caro pelo peso que ultrapassasse o limite (excesso de bagagem).
  • Se por alguma infelicidade o primeiro voo sofre um atraso, vc não perde o direito ao voo seguinte. Se vc comprar as passagens separadamente, caso perca o voo o problema é seu. Terá de comprar outra passagem, e sabemos que não sai barato adquirir uma passagem para voar imediatamente.

Então, antes de decidir se vai comprar as passagens separadamente, ou tudo junto (coldshare), leve esses itens em consideração!

Como eu disse, comprei passagens da British, e fiz isso por muitas razões, entre as quais o fato de ela ser a única companhia que faz Belo Horizonte-Newcastle com conexão em Londres. Outras companhias faziam conexão em Lisboa, em Paris ou Amsterdã. Mas eu queria visitar Londres…

No Brasil, fiz conexão em São Paulo, e, por causa do horário que escolhi, tive de voar pela Gol, que era a companhia parceira no horário.

 

Voando Gol

 

Já vou começar falando de problemas, infelizmente… Enfrentei uma total desorganização no check-in da Gol no aeroporto de Confins… =( Fiquei atônita.

Havia uma única fila para as prioridades (que incluem pessoas com deficiência, gestantes, pessoas com crianças de colo, idosos). Para esta fila, havia apenas um atendente. Alguns pais com carrinhos de bebê tentavam saltar para a fila convencional, mas logo aparecia um funcionário da companhia aérea e trazia o espertinho de volta. Fiquei 40 minutos nesta fila, que, repito, é para pessoas que têm necessidade de ser atendidas com agilidade, de modo geral porque não podem ficar de pé durante um período prolongado. A fila ficou, durante um longo tempo, totalmente parada. Ninguém era atendido!

Foi a primeira vez que me aconteceu algo assim num check-in, e leve em consideração que viajo bastante.

Outra coisa: é regra que, para voos internacionais, o passageiro chegue com 3 horas de antecedência. Não acho prudente o cadeirante descumprir essa recomendação, porque não podemos fazer check-in virtual. Nossa bagagem tem de ser despachada de modo convencional, e o assento é definido na hora. Por isso, sou cumpridora dessa obrigação.

Mas o que a Gol estava fazendo? Deixando passar na frente TODAS as pessoas que estavam chegando atrasadas para o voo que estava prestes a decolar. E as filas totalmente paradas, para que os atendentes despachassem com agilidade os retardatários! Fala sério: isso é coisa que se faça? A mensagem que a companhia estava passando é a de que é compensador descumprir a norma e chegar atrasado, concorda? Porque, agindo assim, não é preciso enfrentar a fila. Eu não sei que nome dar para uma prática dessas, mas considerá-la desrespeito por quem chegou na hora é o mínimo.

Bem, agora vamos avaliar o atendimento no retorno da viagem, um mês depois. Faz parte das normas brasileiras que o passageiro internacional passe pela alfândega no primeiro aeroporto em que pousar no Brasil, e não no aeroporto de destino. Sendo assim, após pousar em Guarulhos e ter feito o check-in de conexão na Gol (que não fica junto do check-in convencional e foi muito competente), o funcionário do aeroporto me conduziu até o balcão da companhia para solicitar assistência especial até a aeronave que partiria para Belo Horizonte. A obrigação dele terminaria ali e passaria a ser da companhia aérea.

Você não faz ideia da desorganização da Gol para nos indicar como esse procedimento se daria. Levamos 15 minutos somente para conseguir uma informação correta na entrada do check-in convencional. A moça que atendia o público na fila nos deu informações equivocadas duas vezes (porque a procuramos novamente, quando vimos que a situação não se resolvia). Após passar por ela, chegamos a um rapaz que foi buscar a pessoa responsável e desapareceu. Não sei dizer quanto tempo levou para que descobríssemos como proceder.

Já dentro da aeronave, o tratamento foi correto, simpático e gentil, fora um copo d’água que a comissária derrubou em mim. Sempre tem uma primeira vez, né?

 

British Airways, A380 Airbus - Imagem do site http://citifmonline.com/

British Airways, A380 Airbus – Imagem do site http://citifmonline.com/

 

Voando British Airways

 

Vou confessar logo: fiquei encantada com o atendimento da British. Explicarei por quê, assim como explicitarei os inconvenientes que encontrei, para que, caso algum dia escolha esta companhia, vc fique atento. Mas é preciso mencionar que o atendimento muda conforme o aeroporto, o que aconteceu com todas as companhias aéreas que já utilizei.

Além disso, vale sempre checar a experiência de outros cadeirantes: isso pode nos auxiliar a prevenir muitas situações difíceis. Por exemplo: eu já tinha publicado no blog o relato da Marília (leia aqui), sobre as dificuldades que passou com esta companhia. Sendo assim, procurei me precaver, como vc observará a seguir.

 

Check-in

Em Guarulhos foi cordial, atento e correto. O balcão é baixo, adequado para cadeirantes. Em Londres (Heathrow), também foi adequado.

Já em Newcastle, foi abaixo da crítica. Quando cheguei, não havia ninguém atendendo (Como assim??? Não, não era de madrugada; eram quase 13 horas). Após alguma espera, apareceu uma atendente. Uma! O balcão é alto, então tive de conversar com ela pela lateral. Como falei que precisava de auxílio para embarque, ela me instruiu para que fosse até um outro local, relativamente perto, a fim de solicitar assistência.

Nesse local, o balcão era ainda mais alto… Não havia atendente, que chegou dentro de alguns minutos e começou a me atender assentada, sem olhar para mim, mesmo porque não me enxergava. Nesse ponto, meu sangue ferveu; subi o tom de voz e disse a ela que eu não a estava enxergando nem escutando, quanto mais entendendo o que dizia!!! Foi só então que ela deu um sorriso e ficou de pé para me atender.

 

Espaço para pessoas que necessitam de assistência

Feito o check-in, pessoas com deficiência podem aguardar em um espaço destinado a quem precisa de assistência para embarque. Em alguns, há um interfone para acionar um atendente caso demorem muito para nos buscar. Foi o que fiz em uma das vezes, pois fiquei ansiosa com o horário (e eu já havia lido o relato da Marília sobre a British “esquecer” os passageiros). Funcionou. Mas não havia esse interfone em todos os lugares, então é preciso ficar atento com o horário. Mas isso vale para qualquer companhia e qualquer aeroporto. Não entregue a responsabilidade pelo seu sossego a nenhuma companhia aérea.

Em Heathrow (aeroporto em Londres), um funcionário da companhia me acompanhou até o portão de embarque. Mas ninguém me acompanhou do portão de embarque até a aeronave, e a distância é longa. Um senhor chegou a comentar comigo, de forma bem-humorada, que era “mais uma viagem” que teríamos de fazer, e foi ele que gentilmente empurrou minha cadeira até a porta da aeronave. Isso aconteceu comigo também no JFK, em NY, pela American Airlines. Então, se precisar de ajuda ATÉ a aeronave, deixe claro, porque parece não ser praxe.

 

Atendimento a bordo

Foi muito eficiente e gentil, em todos os voos (fiz 4 voos pela British).

  • Tive a ideia de combinar, com uma das comissárias, o horário em que eu gostaria de ir ao banheiro (após o jantar e meia hora antes do café da manhã) e deu certo. Achei melhor assim, porque não adianta tocar a campainha, porque nunca aparece ninguém, em nenhuma companhia aérea. Resta também a opção de pedir a seu vizinho do lado para se levantar e laçar um comissário…
  • A comida a bordo estava boa e farta. Quando adquirir as passagens, você pode entrar no site e escolher o tipo de refeição. Eu sempre opto pela vegana.
  • A aeronave era mais espaçosa do que a regra geral, incluindo o corredor.
  • Foram cuidadosos para me transportar na cadeira de transbordo (ou aisle chair), uma cadeira estreita que é usada para o transporte do cadeirante dentro da aeronave.
  • O banheiro é pequeno; foi necessário fazer a transferência de frente. Não preciso de ajuda para isso, porque meus braços são fortes. Se vc precisa, acredito que não será uma operação simples, em razão do espaço limitado.

Conclusão: de todas as companhias aéreas que já utilizei, a British é de longe a melhor, pela gentileza, pela eficiência, pelas condições da aeronave (com exceção do banheiro; na TAM e na Tap, por exemplo, são melhores). Não tive problema com bagagem, mas pode ter sido apenas sorte…

Por hoje é só. Para finalizar a série sobre o intercâmbio, fico te devendo um post sobre o hotel em Newcastle, outro sobre a escola e ainda outro sobre Londres. E, redigindo o post de hoje, vi que vale a pena fazer um exclusivamente com dicas para viagens aéreas. Aguarde!

 

Para saber mais:

 

Site Viaje na Viagem | Companhias low-cost na Europa: cuidados necessários

 

Posts da série Intercâmbio

 

Intercâmbio para cadeirantes: uma experiência possível

Por que escolher Newcastle (UK) para seu intercâmbio

Onde comer, comprar e ir ao banheiro em Newcastle

 

Nos próximos posts: hotel em Newcastle | International House School | Londres

Meu certificado!!! Mais que uma folha de papel, a comprovação de que podemos voar longe com um bom planejamento!

Meu certificado!!! Mais que uma folha de papel, a comprovação de que podemos voar longe com um bom planejamento! =) =)

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8 Comments

  1. Muito legal o seu texto e bem esclarecedor, Laura.
    Tive problemas com a Gol também e os achei bem despreparados quando viajei para Maceió esse ano (saí de Bh). Quero tentar outra cia na próxima.

  2. Gostaria de dicas para viagens ao Canada, sou cadeirante moro em OLINDA.GOSTO MUITO DE VIAJAR.

    • Oi, Laércio, tudo bem? Seja bem-vindo ao blog!

      Eu ainda não fui ao Canadá, mas a Michele Simões, que também é cadeirante, fez intercâmbio nesse país. Acredito que vc encontrará dicas no blog dela, o Guia do Viajante Cadeirante.

      Abraço e boa sorte!

  3. Oi Laura! Li que vc ia fazer um post sobre a escola de Newcastle, mas não achei… O que vc achou da escola? Obrigada! Bj, Luíza

    • Puxa vida, Luíza! O tempo passou, outros assuntos vieram, e eu me esqueci, acredita?
      Vou tentar fazer um post em no máximo uma semana, ok? Se eu não conseguir, te mando pelo menos algumas informações por e-mail.
      Eu gostei sim, mas preciso explicitar as ressalvas.
      Um beijo e obrigada pela lembrança!

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