Acessibilidade em Mariana (MG)

 

No post passado, vc leu sobre a viagem de trem de Ouro Preto a Mariana. Agora, é a vez de conhecer um pouquinho da segunda cidade desse roteiro!

 

Estou em frente à Igreja do Carmo, em Mariana. Acessibilidade zero. Uma pena.

Estou em frente à Igreja do Carmo, em Mariana. Acessibilidade zero. Uma pena. (Todas as fotos foram tiradas por nós e pertencem ao meu acervo)

 

 

Por Laura Martins

 

Clique aqui para ler sobre nossa viagem de trem de Ouro Preto a Mariana e conhecer algumas atrações de Ouro Preto. O post anterior terminou conosco finalizando a viagem até Mariana. A estação ferroviária é acessível: tem rampa pra descer do trem, um bom banheiro adaptado e caminho asfaltado sobre o calçamento de paralelepípedo, para que o cadeirante não tenha problemas ao deixar a estação.

Na região, para atravessar as ruas, encontramos passarelas elevadas para pedestres e rebaixamentos de calçada (nada atende às normas de acessibilidade, mas os rebaixamentos permitem a passagem em segurança).

Ao deixar a estação, atravesse a avenida e comece a subir em direção ao Terminal Turístico. Nesse local, uma rampa íngreme pode ser usada por cadeirantes, mas, para ter acesso à sala onde estão disponíveis mapas históricos da cidade, vc enfrentará um degrau para falar com o funcionário. Ele nos deu detalhadas informações sobre os pontos turísticos, que foram bastante úteis.

Clique neste vídeo para sentir uma vontade maluca de sair correndo para conhecer Mariana… Mas não se anime demais (pelo menos, não desconsidere as dificuldades). Os vídeos que cito no fim deste post lhe darão uma ideia de quão longe a cidade está de prover o mínimo de dignidade às pessoas com deficiência. E não me parece válida a justificativa de que isso ocorre porque se trata de patrimônio histórico. Inúmeras cidades, no Brasil e no exterior, demostram que é possível propiciar acessibilidade e, ao mesmo tempo, conservar o patrimônio.

 

 

 

Riqueza de patrimônio

 

Mariana foi a primeira capital de Minas Gerais; é uma das cidades mais importantes do Circuito do Ouro. Não é famosa como sua vizinha Ouro Preto, mas vale a pena conhecer seus sobrados, as igrejas, a praça com coreto e chafariz e as ruas históricas, repletas de belas construções e igrejas maravilhosas.

Mas lembre-se de que, ao fazer a viagem de trem, o foco é o passeio em si. Vc terá poucas horas para ficar em Mariana, dependendo dos horários de ida e volta que escolher quando adquirir os bilhetes.

Caso ache a cidade tão rica de atrações que queira retornar, o ideal, em minha opinião, será fazer isso de automóvel. A parte histórica de Mariana é bem pequena, tem uma parte relativamente plana, e outra no alto da colina. Para percorrer igrejas e museus, e também conhecer a Mina da Passagem, considere voltar em outra ocasião, com mais tempo disponível. Mesmo assim, veja neste post quanta coisa conseguimos conhecer…

 

A versão impressa deste mapa pode ser obtida no Terminal Turístico. Clique aqui para ter acesso virtual.

A versão impressa deste mapa pode ser obtida no Terminal Turístico. Clique aqui para ter acesso virtual.

 

Ao sair do Terminal Turístico, fomos em direção à Catedral da Sé (que estava em reforma), passando pela Rua Direita, que é histórica e abriga um rico casario. As calçadas são estreitas e mal-conservadas, e a rua é de pé de moleque: ou seja, uma tragédia. Mesmo assim seguimos, ora pela calçada, ora pela rua. Como era domingo, o trânsito estava tranquilo.

Entramos à direita na Sé e seguimos rumo à Praça Gomes Freire. Já tínhamos sido informados que aos domingos pela manhã há uma banda de música tocando ao lado do coreto. Assim que dobramos a esquina, já fomos contagiados pela alegria e pelo ritmo animado das canções!

 

Banda com integrantes de variadas faixas etárias toca na Praça Gomes Freira aos domingos pela manhã.

Banda com integrantes de variadas faixas etárias toca na Praça Gomes Freire aos domingos pela manhã.

 

Estou de costas para a câmera, assistindo atentamente à banda...

Estou de costas para a câmera, assistindo atentamente à banda…

 

 

Há uma entrada para pessoas com mobilidade reduzida no trajeto que estávamos fazendo, mas nenhuma facilidade para atravessar a rua. Não desanime.

Havia um ajuntamento de pessoas assistindo à simpática banda, cujos membros eram desde crianças até idosos. Ficamos até terminar e então subimos a ladeira para conhecer as belas igrejas na Praça Minas Gerais.

Note que, além do bem-conservado casario do séc. XVIII que circunda a praça, há também restaurantes, lanchonetes e confeitarias. Infelizmente, não vi nenhum com acesso para cadeirantes, mas alguns têm apenas um ou dois degraus; outros, uma escadaria…

 

Foto da Praça Gomes Freire, tirada da janela de um dos restaurantes. Observe o casario no entorno.

Foto da Praça Gomes Freire, tirada da janela de um dos restaurantes. Observe o casario no entorno.

 

Não é simples subir a ladeira. Eu já estava a ponto de desanimar, mas o Leo insistiu, e acabamos chegando no topo. Não raras vezes pessoas nos ofereceram ajuda, e aceitamos uma força para subir a escadaria da Igreja do Carmo.

Almoçamos na Praça Gomes Freire, apesar da ausência de bons restaurantes. Considere tomar apenas um lanche e deixar para almoçar em Ouro Preto. 😉

Após o almoço, ao retornar à estação, passamos pela lateral da Praça da Sé e descemos escolhendo os caminhos mais acessíveis. Desse jeito, é muito mais fácil do que passar pela Rua Direita. Alcançamos facilmente a estação ferroviária.

 

O casario é lindo, mas as ladeiras são cruéis.

O casario é lindo, mas as ladeiras são difíceis. Considere circular de automóvel.

 

Subimos a pé esta ladeira em direção ao conjunto arquitetônico da Praça Minas Gerais. Difícil, mas imperdível.

Subimos a pé esta ladeira em direção ao conjunto arquitetônico da Praça Minas Gerais. Difícil, mas imperdível.

 

Estas pedras calçam as ruas desta região da cidade. Como vc vê, representam dificuldade para qualquer pessoa.

Estas pedras calçam as ruas desta região da cidade. Como vc vê, representam dificuldade para qualquer pessoa.

 

 

Sem nenhuma dúvida Mariana deve ser conhecida, pelo seu riquíssimo valor histórico e artístico. Há muito mais para ver, como o Museu da Música, ou ouvir um concerto de órgão na Catedral da Sé. Um passeio instigante é visitar a Mina da Passagem, no distrito de Passagem de Mariana. Quem gosta de compras, tem doces e quitandas mineiras à disposição, além de artesanato e pedras preciosas. (Neste site, clique na aba Guia de Viagem, e depois em Roteiros Sugeridos para saber mais.)

 

Estação ferroviária de Mariana

Estou em frente ao pórtico da estação ferroviária de Mariana

 

 

Acessibilidade precária

 

Mas Mariana parece acordar lentamente para as necessidades e os direitos das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, apesar das imposições legais e das ações de grupos locais. Não acredito que essa situação impeça seu passeio, mas acho que dificulta muito se vc não for de cadeira manual e se não dispuser de um ajudante animado com braços fortes. A comunidade de Mariana é simpática e prestativa e nos auxiliou o quanto pôde. Conte com isso também. Se for de automóvel, preste atenção aos parquímetros e às regras de estacionamento.

Caso se interesse por conhecer melhor o problema da falta de acessibilidade em Mariana, sugiro fortemente que assista aos dois vídeos a seguir.

O curta (IN)Confidências apresenta as dificuldades devido à quase ausência de acessibilidade no patrimônio histórico e cultural de Ouro Preto e Mariana. Estabelece um importante diálogo entre adaptação, preservação e conservação dos bens tombados. Tem 16 minutos de duração e está muito bem produzido, levando em consideração não somente pessoas com deficiência física, mas também com deficiências sensoriais.

 

 

 

O documentário Cadeirantes em Mariana é mais longo: tem 25 minutos. É resultado do Projeto de Extensão “Acessibilidade e Multimídia: Conscientização da população sobre as questões de acessibilidade através dos processos audiovisuais” e foi realizado em 2014 e 2015, por meio de uma parceria entre a Universidade Federal de Ouro Preto e a Associação Marianense de Acessibilidade (AMAC).

Os protagonistas do vídeo se colocaram no lugar de cadeirantes e percorreram as calçadas, ruas e prédios públicos no centro de Mariana por um dia, vivenciando na pele os desafios que cadeirantes enfrentam. O intuito é sensibilizar e provocar a opinião pública acerca de questões relacionadas à acessibilidade. Foi exibido em escolas do município e divulgado na internet, com o intuito de instaurar um debate para políticas de acessibilidade, além de denunciar o descaso dos órgãos públicos e privados em relação às questões da acessibilidade e de locomoção, que são direitos garantidos por lei federal.

 

 

Para saber mais

 

Site oficial de turismo de Mariana

 

Conjunto de igrejas na Praça Minas Gerais

Conjunto arquitetônico na Praça Minas Gerais

 

Maria-fumaça está exposta à visitação na estação ferroviária

Maria-fumaça está exposta à visitação na estação ferroviária

 

Luminosidade filtrada confere mais beleza à Igreja do Carmo.

Luminosidade filtrada confere mais beleza à Igreja do Carmo.

 

Detalhe da Igreja do Carmo

Detalhe da Igreja do Carmo

 

 

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