Praia para todos no Rio de Janeiro

 

O Praia para Todos existe há 8 anos no Rio de Janeiro e funciona de dezembro a abril. Oferece banho de mar assistido, assim como stand up paddle e esportes adaptados. Neste post, te mostro por que você não pode deixar de conhecer esse projeto de jeito nenhum!

 

Entrando no mar com a cadeira anfíbia

Entrando no mar com a cadeira anfíbia

 

A praia tem sido um território distante do acesso da pessoa com deficiência.

Transitar com uma cadeira de rodas comum na faixa de areia é algo desafiador, quase impossível, dependendo do tipo de cadeira e de areia. A areia fofa faz com que seja necessário empregar uma força imensa a fim de tocar a própria cadeira ou empurrar a de outra pessoa. Além disso, dependendo do tipo de pneu, ela vai atolar mesmo. E ainda que você incline a cadeira para usar só as rodas de trás, o desafio diminui, mas não desaparece. E o que dizer de entrar no mar? Só se for carregado. Mas como entrar no mar com uma pessoa mais pesada? Tarefa nada simples.

Todas as vezes em que entrei no mar eu tive o auxílio de uma, duas e até três pessoas, seja de namorado, de familiares ou até de pessoas desconhecidas. Ganhava alguma autonomia quando era mar sem ondas, no estilo piscina, pois assim podia ficar sozinha sem riscos. Já tinha entrado também com colete salva-vidas, boia e até cadeira anfíbia, emprestada pelo hotel em que nos hospedamos em Aruba (leia aqui). Mas nenhuma dessas opções resolvia, porque o colete e a boia limitam os movimentos, e, no que se refere à cadeira anfíbia, é necessário que haja mais pessoas para equilibrá-la dentro da água, porque ela pode virar fácil, fácil…

O projeto Praia para Todos resolveu esses desafios todos de uma tacada só. Quer saber como?

 

Gente capacitada + organização + alegria = sucesso

 

Há muito tempo eu queria participar do projeto, e nesta última viagem ao Rio finalmente foi possível. Já ouvia falar desse pessoal há muito tempo – e falar bem – mas o fato é que eles ainda conseguiram me surpreender positivamente.

Escolhemos ir a Copacabana, mas há uma equipe do projeto também na Barra da Tijuca. Ao identificar o local em que eles ficam e me posicionar no início da rampa de madeira, um voluntário já me viu e se aproximou de modo muito acolhedor para me conduzir até a barraca amarela, tão característica do Praia para Todos: nós a vemos muitas fotos tiradas por quem participa. Da rampa até a barraca, há uma esteira azul, e a cadeira passa tranquilamente, sem se sujar e sem atolar.

 

O pessoal do Praia para Todos já me recebeu na rampa de entrada, de forma super acolhedora. Observe a esteira azul, que facilita o deslocamento na areia.

O pessoal do Praia para Todos já me recebeu na rampa de entrada, de forma super acolhedora. Observe a esteira azul, que facilita o deslocamento na areia. (Todas as fotos foram feitas por Marta Alencar – Alta Estima Fotografia Inclusiva)

 

Lá dentro, ficamos protegidos do sol, e há um “estacionamento” para as cadeiras de rodas. Isso porque vc deixará a sua lá e sairá na cadeira anfíbia, rumo ao mar. Se desejar ir ao banheiro, há um adaptado na loja de conveniência do posto BR, que fica em frente. Basta atravessar a avenida, no semáforo que fica pertinho.

Pronto! Os voluntários me colocaram na cadeira anfíbia e fomos para o mar, que estava bem sujo nesse dia, com muitas algas e plástico, coisas que os humanos adoram usar e jogar onde não devem, não é mesmo? Que pena. Por isso, os rapazes me levaram um pouco mais distante da faixa de areia, para que pudéssemos ficar livres do entulho. Eles são muito treinados e movimentam a cadeira quando a onda bate, de forma que vc faz o agradável movimento de subir e descer com as ondas. Não, isso não dá pra fazer se vc não é treinado; a cadeira viraria…

Então, me perguntaram se eu gostaria de sair da cadeira, e é claro que topei. Foi então que me pegaram no colo e me convenceram a boiar… Hehehe Estou contando isso porque sempre tive medo de água; foi uma luta de anos de terapia para dar conta de fazer natação e aprender alguma coisa, mesmo assim porque encontrei uma equipe competente. Mas o Denis me passou tanta segurança que acabei conseguindo boiar no mar e ter uma experiência decididamente transformadora, de abrir mão do controle e confiar – nele, na água e em mim.

 

No mar, com o auxílio da equipe Praia para Todos.

No mar, com o auxílio da equipe Praia para Todos.

 

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Tomando uma chuveirada após o banho de mar

 

Após tomar uma chuveirada (a água é salgada, porque é de lençol freático, mas pelo menos é limpíssima) e descansar um pouco, pedi para fazer o stand up paddle. Novamente entrei no mar com a cadeira anfíbia; me passaram para a prancha e nos distanciamos bastante da faixa de areia, de tal modo que ficamos longe do lixo e das ondas, que ali não quebravam. Desci da prancha e novamente boiei com o auxílio do Denis, há quase 30m de profundidade, segundo ele me contou (eu pedi que ele não me informasse a profundidade, mas não teve jeito…). “O que a memória ama fica eterno”, nos contou a poeta Adélia Prado. Minha memória amou a experiência de cor, de silêncio e de muitas risadas!

Não usei boia nem colete, mas você pode usar um, para ficar mais seguro, principalmente se seu equilíbrio de tronco for mais difícil. Lembre-se: cada um é cada um.

 

De volta para o mar a fim de fazer stand up paddle

De volta para o mar a fim de fazer stand up paddle

 

Já estou na prancha...

Já estou na prancha…

 

 

O que eu achei da equipe

 

Não resta dúvida de que a equipe do Praia para Todos é bem preparada. Tanto isso é verdade que eles te passam a segurança necessária para tentar a experiência. Além disso, tudo é muito organizado, e a equipe trabalha em sintonia.

Aparece gente com todo tipo de limitação física, idades variadas, brasileiros e estrangeiros, moradores do Rio e turistas, entre os quais hóspedes dos hotéis da região. Os estrangeiros se assustam quando, ao querer pagar pela experiência, descobrem que é tudo de graça. É isso mesmo: esse preparo todo, essa organização, essa leveza e essa descontração saem de graça pra vc por causa dos patrocínios. E o que vc está fazendo aí que ainda não foi viver essa experiência?

O projeto, que disseminou o conceito de acessibilidade no Brasil, está no oitavo ano consecutivo de atividades, mostrando a que veio e incentivando o nascimento de programas semelhantes em todo o País. Só fui uma vez, mas fiquei fã, e vou voltar.

Acompanhe o site da galera, agende, recheie seu cofrinho e parta para o Rio na mais próxima oportunidade. Ninguém deve esperar pra ser feliz!

 

Estou com o Denis, que me ajudou a ter segurança e confiança para descer da prancha e boiar no mar...

Estou com o Denis, que me ajudou a ter segurança e confiança para descer da prancha e boiar no mar…

 

Adivinha que nós encontramos por lá? O Eduardo Câmara, do blog Mão na Roda! À minha direita, Marta Alencar e Tina Descolada, minhas grandes companheiras nesta e em outras aventuras por aí...

Adivinha quem nós encontramos por lá? O Eduardo Câmara, do blog Mão na Roda! À minha direita, Marta Alencar e Tina Descolada, minhas grandes companheiras nesta e em outras aventuras por aí…

 

 

Para saber mais:

 

Site do projeto Praia para Todos

Clipping com notícias sobre o projeto

 

 

Posts sobre praia no Cadeira Voadora

 

Cadeira Voadora em Aruba (primeiro de cinco posts)

Cadeira Voadora em João Pessoa (primeiro de quatro posts)

Fernando de Noronha acessível

Mergulho adaptado em Bonaire

 

Vídeos sobre o Praia para Todos no YouTube

 

 

 

 

 

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4 Comments

  1. Gostei muito deste iniciativa e gostaria de poder levar minha mãe para um banho de mar.
    Como, onde e quando eu encontro vocês na praia?

  2. Olá, João, tudo bem?

    Para saber sobre o projeto Praia para Todos, basta entrar no site deles!

    Clique aqui: http://www.praiaparatodos.com.br

    Abraço!

  3. Muito bacana! Também sou cadeirante e adorei ler o que escreveu. Muito positiva você!
    Moro no Rio há pouco tempo, e procurando praias acessíveis, encontrei o seu maravilhoso relato. Parabéns!

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