Quem precisa ser a Mulher Maravilha?

 

MM

Antes de fazermos parte de qualquer segmento social que seja, cada um de nós, homem ou mulher, pessoa com deficiência ou não, é simplesmente uma pessoa que luta para desabrochar e ser aceita no mundo assim como é.

Antes de sermos pessoas com deficiência… antes de sermos mulheres… queremos todos ser aceitos, respeitados, incluídos.

Como estamos
Pensando especificamente na comemoração do Dia Internacional da Mulher, venho observando como muitas mulheres – de forma consciente ou não – têm adotado comportamentos masculinos para serem aceitas, especialmente no mercado de trabalho. E vejo como muitas têm acumulado tarefas de tal forma que chegam a abrir mão do autocuidado e do autoamor, como se essas coisas fossem luxo.

Chegam a se autodenominar “heroínas”, como se fosse honroso carregar o mundo nas costas.

Mas a própria discriminação que sofremos faz com que, muitas vezes, queiramos ser diferentes e até mesmo nos parecer com aquele que discrimina.

Mulheres, assim como ocorre com as pessoas com deficiência, têm trabalhado para superar todos os limites, a fim de serem aceitas. E quanto mais se superam, mais são aplaudidas. Mas isso é algo bacana?

Para onde estamos indo
Não estou querendo dizer que deveríamos ficar estacionados, resignados com o papel que nos foi permitido pela sociedade. É claro que temos que lutar. Mas precisamos vestir capa de super-heroínas ou de super-heróis? Nós somos super?

A reflexão que o Cadeira Voadora propõe na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher é que nós, mulheres, possamos nos dar o direito de investir na autoestima, e não apenas no ativismo. Que possamos investir no autocuidado, e não apenas no cuidado do outro.

Que possamos aceitar nosso jeito de ser, sem precisar ficar copiando o mundo masculino (nada contra o masculino, mas não precisamos agir como um homem para ser aceitas).

Que possamos nos orgulhar dos aspectos femininos que nos integram, sem precisar abrir mão de lutar para sermos o que quisermos: astronauta ou professora, cientista ou arquiteta, cozinheira ou bióloga.

Por fim, nós, que lutamos contra o preconceito e a discriminação, deveríamos nos abster de discriminar mulheres que optam por exercer um papel que muitas não consideram motivo de orgulho, como abrir mão de uma carreira profissional para atuar como mãe ou dona de casa.

Motivo de orgulho é poder escolher.

Com todo o carinho pelas mulheres maravilhosas que conheço (com deficiência ou não), e por mim mesma, que também sou uma mulher maravilhosa (sem modéstia), desejo que cada uma de nós possa se encontrar nas escolhas que viermos a fazer. E que possamos nos despir da capa de Mulher Maravilha. Quem precisa dela?

Um grande beijo!

Laura Martins

 

mulher

 

 

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