Visitando Lisboa com cadeira de rodas 2

Após subir toda a Avenida da Liberdade e atravessar o Parque Eduardo VII, aí está seu presente: uma vista de tirar o fôlego, com o Tejo ao fundo. Não tem preço.

Após subir toda a Avenida da Liberdade e atravessar o Parque Eduardo VII, aí está o presente: uma vista de tirar o fôlego, com o Tejo ao fundo. Não tem preço.

 

Este é o segundo post sobre passeios em Lisboa, que, no quesito charme, é uma cidade à frente de muitas. As vielas, o casario histórico, os miradouros, o fado, o Rio Tejo – são muitas as atrações. O mesmo não se pode dizer, porém, de sua acessibilidade, que deixa a desejar; mesmo assim, há várias opções de passeios para pessoas com deficiência física, como já contei em meu primeiro post sobre a cidade. Vamos continuar “andando” por Lisboa?

Para ler o primeiro post da série sobre Portugal, clique aqui.

 

Mosteiro dos Jerônimos

 

Fica no Bairro de Belém, que concentra muitos monumentos da Era do Descobrimento, assim como outras atrações.

Considero este um passeio imperdível. Além da belíssima arquitetura, encontramos aqui uma atmosfera de silêncio e mistério, que eu adoro.  É uma pena que não tenhamos acesso ao andar superior… Mas a visita à igreja, na parte externa, e ao claustro, na interna, já compensam sua ida até lá.

 

O belíssimo Mosteiro dos Jerônimos.  (Todas as fotos pertencem ao acervo da Cadeira Voadora)

O belíssimo Mosteiro dos Jerônimos.
(Todas as fotos pertencem ao acervo da Cadeira Voadora)

 

Dicas para visitação

 

  • Este alerta, evidentemente, vale para qualquer atração: antes de sair do hotel consulte os sites para saber o dia em que os locais estão fechados. Não corra o risco de bater com a cara na porta…
  • Sugiro que não visite o Mosteiro aos domingos, pois nesse dia, além do grande número de turistas, há montes de vendedores ambulantes que são muito insistentes e desconsideram solenemente os seus “nãos”. Muito desagradável.
  • Cadeirantes não pagam entrada, nem o acompanhante, o que é uma forma de compensação, já que a acessibilidade do local é bastante limitada.
  • Ao chegar, principalmente em caso de fila imensa (aos domingos…), dirija-se imediatamente a um dos funcionários. Eles estão devidamente identificados com crachás e orientarão você, embora eles próprios não estejam muito bem orientados. Mas compensam essa falha com simpatia e boa vontade.
  • Lembre-se de orientá-los com muita objetividade quando for visitar a igreja, pois terão de carregar sua cadeira (são dois altos degraus). Sugiro que não desista por causa disso, pois a igreja é muito bonita e tem uma energia especial. Se estiver cansado, aproveite para restaurar seu ânimo.
  • Após, peça ajuda novamente, para descer os degraus, e se dirija à bilheteria, pois é necessário emitir o tíquete, ainda que a entrada seja gratuita. A partir daí, a pessoa com deficiência terá acesso ao claustro inferior, onde poderá percorrer os corredores e ter acesso ao túmulo do poeta Fernando Pessoa. Para o pátio central, será necessário descer alguns degraus, mas você pode observá-lo dos corredores, caso não queira descer. Há banheiro acessível, e para usá-lo é necessário pedir a chave a um funcionário.

 

Mosteiro 5

Mosteiro – claustro inferior

 

Mosteiro - claustro inferior

Mosteiro – claustro inferior

 

 

No entorno do Mosteiro

 

O Mosteiro está muito perto da Torre de Belém e do Padrão dos Descobrimentos, que ficam do outro lado da avenida, mas não é possível ir tocando a cadeira. Pelo que nos informaram, só há passagem subterrânea, através de escadas. Ou seja: apesar de ser perto, para o cadeirante ir de um lado até o outro, só de carro. =(

 

Torre de Belém

Torre de Belém

 

Padrão

Padrão dos Descobrimentos

 

Ao sair do Mosteiro, ande um pouco para a direita e terá acesso ao interessante Museu Nacional de Arqueologia. Se estiver com tempo, vale a pena.

Dá para ir a pé aos Pastéis de Belém, caso queira conferir a iguaria , que é encontrada também em outros locais, mas com o nome de pastel de nata. “Pastel de Belém” é marca registrada. Diz-se que, na Confeitaria de Belém, o doce mais famoso de Portugal é preparado a partir de uma receita secreta, que lhe dá um toque mágico. Não, eu não fui ao local; esse tipo de doce não tem a minha preferência… Lembre-se: vai encontrar filas imensas na porta; são pessoas que desejam comprar para levar. Desconsidere a fila, entre no local e vá para o fundo, onde encontrará mesas disponíveis. 😉

Perto do Mosteiro está também o Centro Cultural de Belém, com excelente loja de souvenir, livraria, restaurante (do qual falarei no próximo post), cafeteria, teatro, museu e banheiros acessíveis no segundo piso. Para o acesso ao piso superior, há uma plataforma elevatória que não oferece muita segurança – e você deverá operá-la sozinho. Se não desejar se arriscar na plataforma elevatória, poderá optar pela íngreme e extensa rampa lateral. Mas eu asseguro que vale a pena subir, pelas obras de arte, pelo restaurante, pela linda vista do Tejo. Ah! E pelo banheiro, é claro!

 

Praça

A praça em frente ao Mosteiro é bonita e agradável.

 

Jardim das Oliveiras, no segundo piso do Centro Cultural Belém. Uma bela vista do Tejo!

Jardim das Oliveiras, no segundo piso do Centro Cultural Belém. Uma bela vista do Tejo!

 

O Centro Cultural tem uma galeria de lojas do lado direito da entrada, acessível pelo lado externo, onde você encontra também uma boa cafeteria/casa de chá.

Para passear no Bairro de Belém, reserve o dia todo. Almoce por lá, descanse um pouco sob as árvores do Centro Cultural Belém e depois retome os passeios. Pressa para quê? Carpe diem!

Só um detalhe: quase não há rebaixamentos de calçada por ali. E, quando há, resta um desnível. Nada é perfeito, como gosto de lembrar sempre.

 

Show de fado

 

Ir a Lisboa e não assistir a uma apresentação de fado é imperdoável. Afinal, para conhecer verdadeiramente uma cidade é preciso usar todos os nossos sentidos, não é mesmo? A música é parte importante de qualquer cultura.

O fado revela um pouco da alma portuguesa; as canções são melancólicas e as letras falam de dor, saudades e desilusões amorosas. Sua relevância é tal que foi elevado a patrimônio oral e imaterial da humanidade pela Unesco, em 2011. São tantos os bons artistas que cantam fado que fica difícil enumerá-los!

Tivemos mais de uma indicação de lugar para ouvir um bom fado. Decidimos pelo Clube do Fado, considerado um dos melhores. É imprescindível fazer reserva, bem como avisar que usa cadeira de rodas. O ambiente é pequeno e fica cheio. Como são duas casas, uma ao lado da outra, os garçons nos conduzem ao ambiente que é mais acessível para as rodas: um pequeno degrau na porta e já estamos no interior. Mas a cadeira não entra no banheiro (então, beba pouco), e o local fica numa rua íngreme. O carro precisará deixar vc na porta, pois não é possível ir “a pé”.

Não se intimide por isso, pois o show é muito bom. Duas cantoras e dois cantores se revezam, com voz, interpretação e parte instrumental irrepreensíveis. Éramos cinco pessoas, e todos adoramos.

Dica: os pedidos de refeição e bebidas são feitos antes da apresentação ou nos intervalos entre uma e outra. Durante a apresentação, o silêncio é total. Adorei isso!

 

Avenida da Liberdade

 

Eu sei, eu sei que tenho parafusos de menos e acabo fazendo coisas que não são muito adequadas. Mas desta vez a “culpa” não foi minha. Foi Ulysses, meu irmão, que teve a ideia de subir a pé toda a avenida! Saímos do hotel, na Praça do Rossio, e fomos até a loja de departamento El Corte Inglés, que, aliás, é linda e tem acesso total para cadeirantes.

A subida é íngreme, cansativa, mas não impossível. Passamos por dentro do Parque Eduardo VII e do Jardim Amália Rodrigues. A vista é linda. Linda. Linda. Linda. (Sim, é um eco…)

 

Foi uma loooongaaaa distância percorrida a pé, numa subida um pouco íngreme, mas...

Foi uma loooongaaaa distância percorrida a pé, numa subida um pouco íngreme, mas…

 

... a vista foi compensadora!

… a vista foi compensadora!

 

 

Quase morremos de cansaço, principalmente Ulysses, que foi me empurrando, com a língua para fora. Mas quer saber? Valeu a pena.

Ah! Lá em cima, no Parque, tem um feirinha de bordados!

 

Policiais, seguranças e assemelhados

 

Algo que me chamou a atenção em Lisboa é a dificuldade de encontrar pessoas para dar informações, seja na rua, em shoppings, em monumentos.

Para encontrar um segurança (vigilante) no shopping Armazéns do Chiado, a fim de acionar a plataforma elevatória, foi uma dificuldade. Na Praça do Rossio, de vez em quando apareciam policiais. Mas em Belém não encontramos nenhum nas imediações do Mosteiro dos Jerônimos para nos informar se havia passagem para cadeirantes até o outro lado da avenida, onde fica o Padrão dos Descobrimentos e a Torre de Belém.

Se quiser informações, entre em lojas ou museus e peça aos funcionários.

Sobre segurança pública, em Lisboa não é necessário se preocupar com violência. Nos alertaram apenas para ter cuidado com batedores de carteira, mas não vimos nenhum.

 

Ficamos por aqui! No próximo post, vou falar de restaurantes e compras em Lisboa, ok? Não perca!

 

Para saber mais:

 

  • Posts do antigo Cadeira Voadora

Portugal para cadeirantes

Passeando por Lisboa de cadeira de rodas

  • Posts de outros sites e blogs:

Site do Mosteiro dos Jerônimos

Mosteiro no blog Turomaquia

Site do Centro Cultural de Belém

Pastéis de Belém no blog Turista Profissional

Acessibilidade da confeitaria, no blog Lisboa (In)Acessível

 

Daisies

 

 

Mar Português

Fernando Pessoa

Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.

 

 

 

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4 Comments

  1. Linda, vc escreve maravilhosamente bem…tanto que fiquei com imensa vontade de conhecer Portugal. Parabéns!!!!!

  2. Olá. Consulto muito seu blog para viajar com meu pai. Hoje estivemos no Mosteiro dos Jerônimos e eles ja colocaram rampa na entrada da capela. Também há um acesso através de plataforma entre o Padrão dos Descobrimentos e o Mosteiro, passando por baixo da avenida. Tem plataforma elevatória dos dois lados da escadaria. Também me chamou a atenção que não há nenhuma informação ou placa sobre este acesso. Se você não se informa antes fica com cara de bobo tentando imaginar como atravessar a avenida sem semáforo e com barreiras entre as pistas. Aí segue o fluxo das pessoas e descobre, hehe. As plats formas funcionam bem apesar de bem lentas. Não sei se você já tinha as atualizado a informação, espero ter ajudado aos próximos. Vou continuar seguindo sua cadeira, muito obrigada!

    • Silvia, estas informações são importantíssimas! Muitíssimo obrigada por elas, e também pelo feed-back. Fico feliz de saber que o blog está sendo útil; afinal, ele é feito com muito carinho!
      Um grande beijo!

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