Dia dos Namorados: celebrando as coisas simples do cotidiano

Escrevi esta crônica em 2018 e achei interessante republicá-la para celebrar o Dia dos Namorados, porque mostra como coisas simples podem gerar grandes alegrias. Nela, conto uma experiência que vivi com um ex-namorado, numa ocasião em que tudo indicava que teríamos um dia ruim, mas a expectativa não se confirmou.

Quando terminamos o relacionamento, removi o post, mas decidi trazê-lo para cá novamente, tanto porque gosto do texto quanto porque fala de algo em que continuo acreditando!

E que crença é esta?

Que não é preciso muito para ser feliz, embora seja fundamental ter a capacidade de olhar o cotidiano com outros olhos. Vamos ver se, após ler, você vai concordar? Deixe um comentário!

 

Enquanto escrevo, medito. Às vezes, basta um novo foco para mudar tudo.

 

Namorados em marcha na Paulista

 

O sábado não prometia facilidades, porque estava ocorrendo paralisação dos caminhoneiros. Consequentemente, a vida da cidade havia sido completamente afetada.

Tínhamos tirado o dia para passear. Eu de folga em São Paulo, ele tinha ido para o hotel se encontrar comigo. Será que teríamos de passar o dia lá? Decidimos que não.

Após alguma espera e aceitação do preço elevadíssimo, finalmente conseguimos um carro pelo aplicativo. Então,  rumamos para a Avenida Paulista.

Estava cedo, e nossa intenção era passar numa loja do shopping, para que eu comprasse um cosmético, almoçar e andar pela avenida sem pressa e sem compromisso com nada. “Sem lenço e sem documento”, diria o mestre Caetano.

No fim das contas, não dava mesmo para ter ambições naquele dia.

 

Nossos óculos pousados na mesa, aguardando o café chegar

 

 

Vivendo o aqui-agora

 

Nos dois quilômetros que percorremos, de uma ponta a outra da avenida, até chegar à Livraria Cultura para tomar um café, deu tempo de admirar os prédios, beijar, descobrir a nova unidade do Sesc, abraçar, ver artesanato, olhar vitrines, beijar de novo. Até que percebemos um volume muito alto de gente gritando palavras de ordem.

Ops! Manifestação.

“E aí? Será que é por causa da grave dos caminhoneiros? Será que a gente corre algum risco?”, perguntei.

As faces das pessoas vindo na direção contrária indicavam que não, pois estavam tranquilas. A polícia estava de plantão, mas também se mostrava tranquila, apenas impedindo que automóveis circulassem por aquele trecho.

 

O que é necessário para ser feliz?

 

Mais uns passos e vimos do que se tratava: era a marcha pela legalização do uso da maconha. Ali, naquele momento, o uso estava liberado, e sentíamos o forte cheiro a cada passo.

No Masp, tivemos que desviar, porque era o local de concentração, e não havia mesmo jeito de passar com uma cadeira de rodas. Contornamos o quarteirão para depois pegar novamente a Paulista, caminhando tranquilamente pela calçada e participando da marcha, só que no sentido contrário…

Por fim, entramos na Livraria Cultura, olhamos os livros e nos sentamos na cafeteria para o espresso mais gostoso da vida. Pela parede envidraçada, vimos a tarde começar a cair.

Fiquei pensando mais uma vez o que muitas vezes perguntei a mim mesma: o que é mesmo necessário para a gente ser feliz?

 

Não há nada que não possa ser celebrado com simplicidade

Horinhas de descuido

 

Para mim, é suficiente estar com alguém importante, num ambiente aconchegante. É estar presente no aqui-agora.

Guimarães Rosa sabia das coisas. Em seu livro “Tutameia”, deixou esta preciosidade: “Felicidade se acha é só em horinhas de descuido”.

De descuido, porque é preciso estar entregue, sem tentar controlar.

Ali, não havia espaço para o medo da manifestação, nem para o de faltar combustível. E nem sabíamos se conseguiríamos voltar para o hotel.

Ó, eu tenho aí a foto para comprovar tudo o que contei: os dois óculos pousados na mesa, aguardando o café chegar…

 

Laura Martins, junho de 2018

[Texto atualizado em 06/2022]

 

Dia dos Namorados

 

Neste dia como em qualquer outro, que possamos viver tudo que há pra viver, disse outro filósofo contemporâneo, desta vez Lulu Santos…

Ainda estamos vivendo, no Brasil, dificuldades com mais uma onda da Covid. Sendo assim, pode ser que não dê pra comemorar o dia com toda a pompa e circunstância que gostaríamos.

Além disso, muitas pessoas não têm namorado, ou não moram perto da pessoa amada.

Não importa, vale celebrar mesmo assim. No mínimo, celebrar a vida.

Então, a todos nós, um feliz Dia dos Namorados!

 

Abraço apertado,

Laura

 

Celebre com seu amor o simples fato de estarem juntos

 

Para saber mais:

 

Como comemorar o Dia dos Namorados na quarentena

Posts sobre amor e sexo no Cadeira Voadora

Dicas Cadeira Voadora: onde comemorar o Dia dos Namorados

 

 

About Laura Martins

Laura Martins criou o blog Cadeira Voadora em 2011 para compartilhar suas experiências de viagem em cadeira de rodas. Para ela, viajar desenvolve inúmeras habilidades, nos faz menos intolerantes por conviver com as diferenças e ajuda a construir inclusão, porque as cidades vão ficando mais preparadas à medida que as pessoas vão se fazendo visíveis. Entre em contato pelo e-mail contato@lauramartins.net.

Comments are closed.